E com ele morrerá o matrafão, por ele criado, pouco menos de 2 anos após o começo de aquilo que começou por ser uma partilha de ideias, de pensamentos, de emoções, de um dia-a-dia de uma vida comum que de repente se transformou num espelho para a alma de um pobre de espírito, vista tantas vezes de forma exageradamente romanceada.
Quem era afinal Sebastião da Graça? Um romântico estúpido, desses que muitos dizem já haver poucos, que acreditava em muito do que não era real, que se deixava encantar por tudo aquilo que amava, se apaixonava, mas para o qual percebeu pela desilusão constante e dolorosa que vivia numa utopia, num mundo em que nada disto faz já sentido, em que o sentimento pouco vale, é menosprezado e assim se deixou caminhar para uma miséria perpétua, na qual irá habitar.
Percebi, após estes 2 anos, que tudo aquilo que aqui escrevia não eram mais que devaneios, daquelas que são as minhas lutas interiores entre dúvidas persistentes que nem sempre se encontram num equilíbrio desejado, mostrando que a minha alma se encontra tão negra como o fundo deste blog, onde já nem as palavras no seu branco de esperança se realçam...
Decidi "morrer", porque deixei de acreditar em mim, nas pessoas, perdi a fé na força do amor, das palavras, das coisas. Decidi "morrer", porque me cansei deste arrastar de vida, de lamentação contínua, de uma personagem viscosa e repetitiva, que sem saber usar as palavras julgava poder um dia tornar-se um verdadeiro escritor.
E assim é o fim, desta caminhada no matrafão, que permanecerá por aqui, como livro abandonado numa escura estante e o qual não se irá concluir jamais, deixadas em branco que ficam as suas últimas as páginas...
... FIM

Aut non tentaris, aut perfice