Às vezes penso que poderia ser escritor. Desde a adolescência fui construíndo textos aos soluços, que acabo por abandonar e por vezes retomar, numa insatisfação de ao reler o trabalho próprio, não me parecer de qualidade literária suficiente para ser exibida. Recentemente retomei a escrita, tais "retalhos da vida de um médico", mas num estilo próprio e pessoal, à qual chamo de "vida comum".
Hoje decidi fazer algo diferente. Entrar totalmente no mundo da ficção, num estilo distinto e de quem parece estar a entrar num surto psicótico que me liberta das amarras da moralidade social.
Matutava horas indefinidas nas mesmas situações, redundantes que se tornavam.
Mas esse dia, viria a tornar-se diferente, único de todos os dias anteriores da monotonia que se tinha tornado o arrastar dos pés para aquele hospital.
Ao chegar à enfermaria, num relance reparou num olhar diferente, estranho até então. Foi como se a sonolência diária dos dias comuns, despertasse agora num sopro de vida refrescante que activou todos os seus sentidos. Permaneceu imóvel, boquiaberto de um espanto causado pela impressão que esta mulher de peito cheio, anca definida e lábios de uma vivacidade impressionante lhe causara. Sentiu na distância necessariamente social o seu fôlego de um respirar sereno, e ansiava sentir pelo toque a suavidade visível da sua pele. Inconscientemente percebeu que o seu corpo rebelde já reagia a tal imagem, ficando de falo erecto e duro de tanta excitação. Tímido no entanto, fingiu ignorar a sua presença, tentando demonstrar uma falsa indiferença, controlando os seus impulsos mais ferozes, suavizando a própria voz, com a intenção de simular uma calma aparente. Por dentro o corpo explodia de tesão, queria contacto, queria revelar-se de imediato a esta pessoa a quem nem ainda tinha sequer perguntado o nome, mas que já tinha causado todo este impacto pela sua presença.
Dias se passaram e a relação estabelecida era a cordial e social de dois colegas de trabalho. Evitava a todo o custo qualquer pergunta mais pessoal para não revelar a mínima das intenções.
No entanto em casa, na intimidade e segredo da sua cama, acariciava-se várias vezes, como se estivesse acompanhado a dar prazer a este corpo que com o olhar se deliciava, como se houvesse um magnetismo invisível que fazia com que se orbitassem entre si e em êxtase deixava-se explodir ao imaginar preencher de esperma esta mulher.
Um dia, tal como tantos outros, fechados os dois no mesmo gabinete, num silêncio ensurdecedor de quem tem algo para declarar, mas se vê na obrigação de não o fazer por medo de não ser compreendido, deixou escapar num sussurro que aquela imagem de mulher o deixava sem palavras que descrevessem o sentimento que o dominava e diminuía.
- A enfermeira, deixa-se totalmente desconcentrado.
Sentiu pela primeira vez a inquietação dela, como se até então a sua presença fosse indiferente, mas agora a desconcertava, agora deixava-a tensa, de um arrepio que era visível na pele. Mas ela não replicou logo. Decidiu antes pela provocação, como se a intenção dela fosse aumentar até ao descontrolo total esse desejo animalesco, selvagem e irracional dele.
- Ai é? E o que é que o desconcentra mais?
E conseguiu. Ele ficou como se nada nem ninguém mais existisse, como se à volta fosse agora tudo um vazio e naquele momento fossem só os dois, um homem e uma mulher despidos de tudo o que o era do mundo, preparados para uma entrega.
Tentaram manter uma falsa postura, tinham receio de ser surpreendidos por alguém que entrasse de forma súbita no gabinete. Mas a tensão aumentava, sentiasse no ar, a temperatura subira, pelo intensificar da actividade interior dos dois corpos, até um momento que deixara de ser possível e humanamente aguentar. Sem palavras e como se a comunicação passara a ser só pela mente, saiu um de cada vez, primeiro ela, em direcção à escadaria que ninguém usava. De seguida ele, com o seu habitual gracejo para quem o interpelava, hoje um tanto nervoso. E encontraram-se os dois de novo. Agora numa paz segura de uma agitação que se podia agora e finalmente revelar. Olharam um para o outro, a uma distância que dava para sentir o bater rítmico do coração. E ela disse:
- Sabes o que me apetecia agora?
Ele, ansioso por deixar as palavras e fazer-se sentir pelo actos respondeu com um breve, mas intenso:
- Sei.
E não foi preciso mais. Nesse momento os seus lábios encontraram-se, as suas línguas acariciavam-se suavamente, enquanto a boca parecia querer devorar tudo sem freio. As mãos dele perderam o pudor e passaram a tocar em tudo o que a liberdade por ela consentida ia permitindo. Ela, libertando-se de qualquer constrangimento, agarrou com força o pénis dele, engrandecido e de uma vitalidade de aço, tomando-o como seu.
- Estás tão duro para mim. É tão bom sentir-te assim duro por mim.
- Estás tão molhada para mim. Adoro sentir-te assim a escorrer por mim.
E esquecendo-se do local impróprio onde se encontravam, ignorando toda e qualquer segurança e vontade de sigilo, deixaram-se fluir. De pé, ele encostava-a agora à parede e virava-a agora de costas, enquanto lhe agarrava a anca com uma mão, com a outra ajeitava a erecção do pénis hirto e a penetrava na vagina, fazendo-o deslizar sem dificuldade até ao fundo, ouvindo-a a gemer, o que o excitava ainda mais. Beijava-a no pescoço enquanto estava dentro dela, e ela arrepiava-se a cada estocada. Por alguns momentos, os dois corpos fundiam-se e ele acabou por se vir com todo o seu fulgor dentro dela. Beijaram-se, olharam-se, sem palavras, momento só quebrado por um sorriso mútuo e o encostar das duas frontes. Amanharam-se, ele ainda erecto a tentar acomodar o que parecia enorme para voltar a ficar fechado dentro das calças, ela a escorrer pelas pernas e sem possibilidade de um asseio melhor.
Nos dias seguintes tentavam encontrar sempre um momento para os dois. Percorreram gabinetes, áreas que julgavam escondidas, experimentaram várias posições distintas, como se o pensamento de um fosse o anseio do outro, até ao ponto em que os perfumes dos dois se ia misturando numa fragrância única. Ele penetrava-a com vigor, tinha prazer em sentir-se a escorrer quando ela se vinha na sua boca, ao ser acariciada com os lábios e língua. Ela enfiava por vezes o pénis na sua boca, dizendo a seguir para se deixar largar das amarras do politicamente correcto e sentir o calor do interior do corpo nela.
Já não dava para passar despercebido. Começara a surgir um murmurinho no hospital. Os restantes já percebiam dos sorrisos que trocavam, da cumplicidade que havia entre os dois. E quando ela, um dia se aproxima dele e diz:
- Estou grávida. Como vou explicar ao meu marido?
O marido era estéril. Tinham feitos exames, atrás de exames, tentativas atrás de tentativas para tentar engravidar e o veredicto frio e cruel era um, ele não poderia vir a ver o fruto da sua descendência.
Ele ficou inicialmente em choque. Não de quem recebe a notícia de uma calamidade, mas de quem secretamente, no interior dos seus pensamentos mais profundos, o desejava.
Era um solteirão, visto como um pretendente ideal, no qual muitas viam um bom partido. Mas no seu ser introvertido, nunca se tinha permitido deixar ser absorvido por uma mulher. E sentia que esta mulher, casada, significava para si tudo, mesmo que fosse sempre o outro, mas que mesmo aí era uma escolha de quem podendo ter tudo, ainda assim decidia permanecer junto dele.

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Continuação...
As semanas iam passando, no corropio habitual de uma rotina de vida comum no qual Rodrigo se encontrava aprisionado.
Na Catarina começava a ser perceptível a mudança do corpo e já não conseguia esconder o crescimento bonito do ventre que acolhia aquela criança. Também Heitor tinha aceite esta condição, numa receptividade de quem via a possibilidade de vir a ser pai. Outrora amaldiçoara o universo pela injustiça que sentia, em lhe ser privado a entrega a um ser inocente que se vê crescer em perfeita sintonia, numa visão paternalista e de uma grandeza enriquecedora de se ser criador e educador. Apesar de uma revolta inicial, viu ser alimentado dentro de si, um estranho prazer de ver Catarina partilhada, numa crescente excitação. O que antes frenava, agora incentivava. Chegava, inclusive, a dar conselhos, com os seus olhos de amor verdadeiro, para que ela se sentisse, mesmo na mudança obrigatória do corpo, sempre sedutora. Percebia que ela estava apaixonada, mas sabia que o amor que os unia permanecia adormecido, mas intacto. Não a queria perder, porque sempre sentiu desde o primeiro momento que o presente contínuo de um futuro passava pela dedicação a Catarina. Por vezes Heitor acompanhava-a até ao hospital, como quem ansiava estar presente em união, nos momentos em que Rodrigo lhe dava prazer. Começara a distinguir prazer de amor, sabia que este último ele podia dar sem limite, mas que o primeiro seria só vivido nas imagens que criava, quando Catarina lhe passara a contar detalhadamente os seus encontros.
- Às vezes ele passa por mim, mesmo quando estou acompanhada por colegas e toca-me discretamente no rabinho. Percebo logo a sua intenção. Perco a noção imediata do que se encontra ao redor, como se tudo ficasse em silêncio e não conseguisse pensar em mais nada a não ser a sua boca a consumir-me a cona. Fico logo toda molhada, taquicardica, com um tremor que me puxa para ele. E como sempre, arranjo uma qualquer desculpa para me ausentar, para me encontrar com ele no nosso gabinete. Fico sempre num estado de euforia, com uma falsa vergonha em só de pensar que alguém me vê a sair desarranjada, como quem quer esconder algo perceptível.
- Conta-me como ele te toca, o que ele te faz que te deixa louca de tesão. É tão saboroso sentir-te assim, a escorrer como nunca antes te vi.
- A sério amor? Não te incomoda tudo isto, esta minha maluqueira?
Perguntava recorrentemente Catarina, com um receio constante de uma perda anunciada, com um dilema moral da noção de que tudo isto era profundamente errado, mas tão delicioso.
- Sim, quero saber tudo. Quero que me toques gentilmente enquanto me contas tudo, como ele te deixa. Quero que sintas como fico ao te imaginar a sentir prazer.
...
...
- Hoje parece que foi tudo mais intenso ainda. Deve ser destas hormonas todas que me deixam assim. Começou por me pedir para me sentar no colo dele e calmamente, sem me querer possuir como se não houvesse um amanhã, passou os seu lábios carnudos nos meus, beijou-me o pescoço. Sabes como me isso me deixa. Deteve-se por longos momentos, como se o tempo tivesse parado, em me acariciar o rosto e o peito. Fez-me querer mais, mas como sempre não foi preciso dizer nada. Pegou-me ao colo e deitou-me numa marquesa. Ele fez tudo e, sem saber como, já estava exposta nua, totalmente entregue à sua vontade e ao meu desejo. Fez amor com a minha cona, sôfrego a deliciar-se de mim. Quando dou conta o tesão soboroso daquele momento aumenta, como se estivessem dois homens comigo, que ao mesmo tempo que me chupa e lambe, num misto que se confunde, sinto dentro de mim um prazer único, quase orgasmico. Apercebi-me que me enfiou um dos dedinhos e com uma noção detalhada, como se conhecesse o mapa de mim, me dá prazer como nunca. Só me apetece libertar os gritos de prazer. E é só a pequena noção de onde estamos, que me impede de o fazer. Mas ele insistiu e não consegui aguentar-me mais. Num estremecer descontrolado, rítmico com cada chupada, começo a gemer mais alto, sem conseguir controlar. Momento que se prolonga e sem dar conta disso, está já dentro de mim. Com aquele tesão tão duro que me enche toda a minha cona, mas hoje de uma sensibilidade intensa, como se contraísse para abraçar intensamente a sua piça que me penetra. Ainda agora, ao recordar tudo isto, fiquei toda a escorrer.
- Posso sentir como ele te deixa?
- Sim.
E pegou na mão de Heitor. Beija-lhe primeiro a palma, faz descer a sua mão a percorrer o seu corpo, passando pelo seu peito, agora maior, até chegar à sua pelvis, húmida de tesão.
Heitor, sem mais palavras, perguntou somente?
- Posso foder-te?
Heitor queria sentir o calor dela em si. Queria estar dentro da Catarina, fundindo a união espiritual que nunca os largou, com a união física de dois seres.
- Quero tanto. Quero que me fodas e me faças sentir como ficas assim por mim, como me amas apesar de todo o mal que te faço. Quero sentir dentro de mim a violência que reprimes, solta-te, agarra-me com força e vem-te dentro de mim. Quero selar contigo e para sempre o nosso amor, mais do que o desejo que me consome. Volta a prender-me a ti.
E ao dizer isto, Heitor viu no olhar de Catarina o brilho que já tinha conhecido no passado, que o fez ter a certeza na altura de que ela lhe estava destinada. Amava-a tanto e apesar de todos os contratempos que a vida traz, o deserto pelo qual os dois tinham caminhado, sem saber, estiveram sempre de mão dada, onde cada um era força e incentivo do outro nos momentos de maior provação. Tinha a certeza que o filho ali presente no meio dos dois, seria parte da aliança agora reafirmada e teria todo o amor de um pai e uma mãe que se amam profundamente.
...
A gravidez estava a chegar ao fim. Catarina agora passava os dias por casa, muitas vezes sozinha. Na solidão de quem espera o calor do contacto humano, entretinha-se momentaneamente a trocar mensagens com Rodrigo. No seu dia a dia atribulado, ele encontrava sempre momentos para ela. Debatia-se no dilema de querer assumir uma paternidade que desejava, mas na luta constante de viver intensamente o trabalho. Era um workoolic e apesar de interiormente querer ser mais para si fora da Medicina, não conseguia libertar-se das amarras opressoras da dedicação exclusiva à profissão. Já tinha abordado várias vezes este tema com Catarina, dizia querer estar presente, mas no seu íntimo apreciava a liberdade da ausência de um vínculo maior. E ia alimentando-se dos momentos de uma intimidade visceral que o fazia esquecer-se por breves instantes das tarefas diárias. Tocava-se frequentemente ao escrever e receber mensagens, pedia para ter vislumbres de partes do corpo de Catarina e permanecia minutos a admirar cada pedaço a masturbar-se. Replicava com fotos da sua erecção, mas que se esgotavam numa banalidade de algo que já não reservava mistério.
Quando Heitor chegava a casa, era frequente que Catarina lhe pedisse para se juntar a ela. As longas sessões de chat virtual, deixavam-na carente do consolo físico real, com uma vontade avassaladora de prazer. Heitor era agora mais criativo, na impossibilidade anatómica de um volume abdominal pronunciado, fazia recurso do possível. Aninhavam-se os dois um no outro, numa concha que deixava os lábios livres de Heitor para acariciar Catarina, num deleite conhecido. Beijava-a no pescoço, descia pelos ombros, sentia o quão sedosa era a sua pele, ao mesmo tempo que carinhosamente acariciava o clitóris. Sentia-a a gemer, sentia a sua pele ficar áspera de erecção, pedir-lhe ao ouvido para se libertar e deixar o pensamento vaguear sem complexos pelo seu desejo. Catarina dizia-lhe que eram os dois, Heitor e Rodrigo que lhe davam prazer. Catarina adorava este novo marido, que outrora negligente no afecto, parecia agora viver obcecado pelo prazer dela. Era dedicado, presente, e descobrira as maravilhas que os seus dedinhos faziam nela, redescobrira a força dos seus lábios e o calor aconchegante do seu corpo.
Heitor tinha receio de a penetrar, temia que pudesse prejudicar o seu filho, apesar de Catarina, com o seu maior conhecimento dizer-lhe que era seguro, mas ele retraía-se, não se conseguia abstrair para o fazer. Foi só, quando numa consulta que antecipou o parto, em que médico incentivou uma prática agora mais selvagem da sexualidade para abrir o colo do útero ainda fechado, que Heitor se viu com a final tarefa de ser o seu promotor.
Na posição agora habitual, deitados de lado, ou com Catarina confortavelmente de quatro, penetrava-a profundamente, excitado pela sensação desse calor húmido que parecera ter esquecido. Catarina sentia a cada penetração o vigor que ele empregava, pedindo só para ele abrandar, quando a dureza da sua piça lhe alcançava com demasiada violência a profundidade total da cona. Via-se no suor de Heitor a dedicação e espalhado nas nádegas de Catarina o resultado de um trabalho bem feito. Na ignorância habitual dele, receava libertar dentro dela o leite que jorrava do seu pénis, ignorando que o próprio esperma era ajuda na tarefa pretendida.
Acabavam abraçados os dois, num sonho comum de proximamente vir a ter no meio deles, uma nova criatura, a quem iriam dar todo o amor de um casal unido nas maiores tribulações e a quem ia chamar de Sebastião.
O choro de Sebastião rompeu o silêncio do quarto de hospital não com a fragilidade de um recém-nascido, mas com a afirmação vigorosa de quem vinha reorganizar o mundo à sua volta. Heitor segurava a mão de Catarina, os nós dos dedos brancos pela força partilhada nas últimas horas de parto selvagem e libertador. Olhando para o rosto exausto da esposa, Heitor não viu vestígios da culpa antiga, mas a promessa implícita nas madrugadas de intimidade partilhada que se tinha cumprido. Aquele menino, de traços ainda indefinidos mas com uma vitalidade que já conheciam, era a âncora que selava definitivamente a sua união espiritual.
Nos dias que se seguiram ao regresso a casa, a rotina foi engolida por uma nova forma de adoração. Heitor revelou-se o pai que o universo outrora lhe tentara negar, cuidando de Sebastião com uma delicadeza que contrastava com a sua força física. Catarina observava-o da cama, o peito cheio de leite e o ventre a recolher-se lentamente, sentindo-se mais sedutora e venerada do que nunca. A partilha dos segredos passados não os afastara, pelo contrário, criara uma cumplicidade inabalável onde o ciúme tinha sido substituído por uma devoção quase mística ao prazer e à sobrevivência do casal.
A calmaria doméstica, contudo, trazia o eco inevitável do mundo exterior. O ecrã do telemóvel de Catarina continuava a acender-se discretamente com as mensagens de Rodrigo. Catarina afastada do hospital pela licença de maternidade, criara no médico um debate agora no vazio da sua própria contradição. O silêncio do gabinete onde antes se fundiam parecia agora ensurdecedor. Rodrigo consumia-se no trabalho, consultando como um autómato para preencher a ausência do magnetismo visceral que Catarina ali deixara. As mensagens dele, antes carregadas de uma urgência puramente carnal e fotos da sua ereção hirta, assumiam agora um tom de interrogação velada, uma tentativa desesperada de decifrar o seu papel naquela nova ordem.
— Ele quer ver o menino, Heitor. — sussurrou Catarina uma noite, enquanto o marido lhe massajava carinhosamente as pernas cansadas, descendo os dedos num toque que já fazia a sua pele arrepiar-se de antecipação. — Diz que precisa de fechar um ciclo. Ou talvez de começar outro.
Heitor deteve as mãos por um segundo, olhando nos olhos da mulher. A antiga revolta já não existia, apenas a certeza do amor contínuo.
— Deixa-o vir. — respondeu Heitor, numa voz de tom calmo, mas firme. — Ele deu-nos o fruto, mas a árvore é nossa. Quero que ele veja o que o teu desejo e o dele construíram, e como isso nos prendeu um ao outro para sempre.
O encontro foi marcado para o final da tarde, na penumbra segura da sala de estar. Quando Rodrigo entrou, trazia consigo o habitual ar introvertido, mas desprovido do falso gracejo que exibia no hospital. Olhou para Catarina, cujo corpo exalava agora a fragrância madura da maternidade, de peito cheio, ancas volumosas e lábios preenchidos, e de seguida olhou para Heitor, que permanecia de pé, como um guardião sereno do espaço.
O silêncio na sala tornou-se espesso, palpável. Rodrigo aproximou-se do berço onde Sebastião dormia. Ao fitar a criança, o médico sentiu o choque da realidade. Ali estava a personificação dos seus impulsos mais selvagens, gerada na urgência das paredes de betão e das escadarias escondidas, mas agora acolhida no calor de um lar que nunca seria o seu. A sua mente de homem de ciência e o seu ser solitário colidiram, percebeu que, apesar de ter preenchido aquela mulher com o seu fulgor, a liberdade da sua ausência de vínculos tinha-se tornado a sua própria prisão.
Catarina aproximou-se por trás dele e sem que Heitor desviasse o olhar, ela pousou uma mão suave no ombro de Rodrigo. O contacto elétrico fez o corpo do médico reagir instantaneamente por instinto, um arrepio familiar que cruzou a espinha de ambos, mas que já não carregava a urgência do descontrolo.
— Ele é lindo, Rodrigo. — disse ela baixinho, a voz suave e desprovida de qualquer tensão moral. — E vai ter todo o amor do mundo.
Rodrigo voltou-se lentamente, olhando de Catarina para Heitor. Viu a cumplicidade absoluta entre os dois, o conhecimento detalhado que partilhavam sobre o prazer e a dor um do outro. Percebeu que a sua presença física ali já não era uma ameaça, mas parte de uma engrenagem que os tornara invencíveis.
— Fico feliz por vocês. — conseguiu dizer Rodrigo de garganta seca e com o orgulho de homem e o desejo de pai fundidos numa melancolia resignada. Ajeitou o casaco, tentando acomodar a agitação interior que a proximidade de Catarina sempre lhe provocava, e caminhou em direção à porta. Sabia que no dia seguinte entraria novamente no hospital, caminharia nos seus pensamentos interiores e que os murmúrios nos corredores continuariam. Mas ali, naquela casa, a aliança estava selada.
Heitor fechou a porta e voltou-se para Catarina. Sem palavras, puxou-a para si, encostando as duas frontes. As mãos dele perderam o pudor, encontrando a humidade da cona e um escorrer de leite do peito que a presença e a despedida do risco tinham voltado a despertar nela. O desejo e o amor fundiam-se outra vez, prontos para foder de novo no futuro com a força de quem já tinha caminhado pelo deserto e descoberto o seu próprio paraíso.
O regresso de Catarina ao hospital trazia consigo a inevitabilidade do desejo. Passados os meses de licença, cruzar novamente a entrada principal foi como acordar de um transe doméstico para reentrar no cenário onde os seus instintos mais selvagens tinham sido mapeados. O uniforme, agora ligeiramente mais justo nas curvas redesenhadas pela maternidade, parecia elétrico contra a sua pele. O burburinho e os murmúrios nos corredores, que antes a faziam hesitar, agora passavam por ela como um ruído de fundo sem importância. A sua mente estava focada num magnetismo que o tempo longe não conseguira arrefecer.
O reencontro com Rodrigo aconteceu a meio da manhã, na correria habitual da enfermaria. Não houve palavras fictícias ou saudações cordiais. Foi um relance de olhos à distância, o suficiente para que a sonolência da rotina hospitalar evaporasse num sopro de vida refrescante. Rodrigo estacou por um segundo, com o olhar vago instantaneamente substituído por uma fixação devoradora. Viu nela a anca definida, os lábios vivos e o peito cheio, agora com a imponência de quem se tinha tornado mãe. Inconscientemente, o corpo rebelde do médico reagiu à imagem, a ereção a erguer-se hirta e dura contra o tecido das calças, forçando-o a segurar nalguns papéis de forma desajeitada para disfarçar o impulso feroz. Catarina percebeu o impacto imediato. Sentiu a pele arrepiada e tensa, o coração a acelerar numa taquicardia familiar e uma humidade súbita a escorrer-lhe pelas pernas, despertando o clitóris num tremor incontrolável.
A oportunidade surgiu ao início da tarde. Sem que uma única palavra tivesse sido trocada, a comunicação fluiu pela mente, uma sincronia animal refinada pelo histórico que partilhavam. Catarina contornou o balcão central e dirigiu-se para a arrecadação dos consumíveis no fundo do piso, uma área que sabiam estar temporariamente deserta devido às obras na ala lateral. Segundos depois, a porta abriu-se e o corpo de Rodrigo preencheu o espaço, fechando a fechadura num estalido seco que ecoou como um sinal de libertação.
O silêncio ensurdecedor durou apenas o tempo de se olharem à queima-roupa. Rodrigo avançou sem o pudor ou a timidez do passado. As suas mãos grandes agarraram a anca de Catarina, puxando-a para um beijo sôfrego, onde as línguas se procuraram e se entrelaçaram com uma violência reprimida há meses. A boca dele parecia querer devorá-la por completo, descendo num rasto de saliva quente pelo pescoço, arrancando-lhe os primeiros gemidos abafados contra o seu ombro.
— Estás tão mais mulher. Cheiras a tentação pura. Deixas-me cheio de um tesão duro e incontrolável. — sussurrou ele, a voz rouca de pura excitação.
Catarina, libertando-se de qualquer constrangimento ou dilema moral, respondeu rasgando a frente da bata dele e enfiando as mãos por dentro das calças do médico. Os seus dedos envolveram a piça de Rodrigo, engrandecida, com uma vitalidade de aço e a latejar de tanta urgência.
— Quero-te dentro de mim, Rodrigo. Agora. Fode-me como antes. — pediu ela numa respiração cortada, encostando-se voluntariamente contra a mesa de metal que se encontrava no armário.
Sem perder tempo em preliminares lentos, Rodrigo puxou o uniforme de Catarina para cima, expondo a nudez da sua pélvis já totalmente ensopada de tesão. Ele ajeitou a ereção hirta, posicionando a cabeça do pénis na entrada da vagina dela, que escorria num fluxo abundante. Com uma estocada firme e profunda, ele penetrou-a até ao fundo, preenchendo-a por completo. O choque térmico daquele calor húmido e apertado fez Rodrigo soltar um rosnido de prazer selvagem, enquanto as paredes vaginais de Catarina se contraíam intensamente, abraçando a piça que a invadia com violência.
Rodrigo segurou-a firmemente pelas ancas, usando o peso do seu próprio corpo para ditar um ritmo rápido e implacável. A cada penetração profunda, o som dos corpos a bater um contra o outro misturava-se com os gemidos contínuos de Catarina, que enterrava as unhas nas costas dele para aguentar a intensidade do prazer. A sensibilidade dela estava ao rubro, a fricção exata no mapa do seu clitóris fazia-a tremer de forma descontrolada. Ela levantou uma das pernas, envolvendo-a à volta da cintura de Rodrigo para permitir que ele alcançasse a profundidade total da sua cona com ainda mais vigor.
O suor começou a cobrir a testa do médico, o perfume de ambos misturando-se no ar fechado numa fragrância única de luxúria partilhada. Rodrigo beijava-a na boca para sufocar os gritos de êxtase dela, enquanto continuava a estocá-la sem freio, deliciando-se com a forma como ela se vinha repetidamente em cima do seu membro, apertando-o num espasmo rítmico que ameaçava levá-lo ao limite.
Incapaz de aguentar mais o descontrolo irracional daquele magnetismo, Rodrigo puxou-a para um clímax e com uma última sequência de penetrações violentas e profundas, ele descarregou-se com todo o seu fulgor, jorrando o esperma quente e abundante diretamente no fundo do útero dela. Catarina arqueou as costas, o corpo a estremecer no clímax partilhado, sentindo o calor do leite dele a inundá-la por dentro enquanto se desfazia num orgasmo intenso.
Ficaram abraçados por longos minutos, com as frontes encostadas e as respirações a acalmar lentamente no silêncio recuperado da arrecadação. Rodrigo retirou-se devagar, ainda semificando erecto, vendo o resultado do trabalho a escorrer pelas pernas de Catarina. Com um sorriso mútuo e cúmplice, começaram a amanhar-se à pressa, ajeitando as roupas e os cabelos para regressar à monotonia das suas funções, cientes de que a chama não só se tinha reacendido, como ardia agora com uma força ainda mais perigosa.
A noite caiu pesada e silenciosa sobre a casa do casal, mas no peito de Catarina o ritmo do hospital ainda ecoava como um tambor. Mal Heitor fechou a porta principal após um longo dia de trabalho, os seus olhos procuraram imediatamente a esposa. Sentada na cama com Sebastião adormecido no berço ao lado, ela trazia no olhar aquela mesma lucidez perigosa e despida de amarras que outrora os tinha unido na partilha do proibido. Heitor aproximou-se, sentindo de imediato o perfume dela misturado com a fragrância carnal que tão bem conhecia dos dias em que vinha do hospital.
— Aconteceu hoje, não foi? — perguntou ele com a voz de um sussurro calmo, mas carregado de uma antecipação que já fazia os seus músculos contraírem-se.
Catarina sorriu, aquele sorriso cúmplice que Heitor tanto adorava. Ajeitou-se devagar, encurtando a distância entre os dois, e colou o seu corpo quente ao dele.
— Foi na arrecadação, amor. — começou ela, com a voz sumida perto do ouvido dele para não acordar o filho, enquanto lhe passava os dedos macios pela nuca, fazendo-o arrepiar-se instantaneamente. — Entrou logo a seguir a mim e fechou a porta. O silêncio era ensurdecedor. Agarrou-me pelas ancas com tanta força que ainda sinto os dedos dele na minha pele. Beijou-me com uma fome antiga, uma violência que me deixou logo sem defesas.
À medida que as palavras de Catarina descreviam o que tinha acontecido, Heitor sentia o peso de cada detalhe. A honestidade dela, despida de qualquer filtro, criava entre ambos uma atmosfera de cumplicidade absoluta. Ele observava-a, fascinado pela forma como ela partilhava aquele segredo, sentindo a tensão crescer a cada frase, uma eletricidade que parecia vibrar no ar do quarto.
— Quero saber tudo o que sentiste. — murmurou Heitor, com a respiração mais pesada, os olhos fixos nos dela, procurando compreender a profundidade daquela experiência que ela agora trazia para dentro de casa.
Catarina continuou o seu relato, descrevendo não apenas os gestos, mas a intensidade avassaladora do momento, a perda de controlo e a entrega total aos sentidos. Falou da urgência que sentira e de como aquela memória ainda a fazia vibrar. Heitor ouvia-a em silêncio, sentindo o seu próprio corpo reagir àquela partilha tão crua e verdadeira, uma mistura de fascínio e desejo que o deixava completamente focado nela.
Percebendo o impacto que as suas palavras estavam a ter, Catarina aproximou-se ainda mais, entrelaçando as suas pernas nele e a distância entre os dois desapareceu por completo. Ela tocou-lhe com suavidade, um gesto que era simultaneamente um agradecimento pela sua compreensão e um convite para mergulharem juntos naquela torrente de emoções que o relato despertara.
Heitor estava agora completamente entregue às palavras de Catarina. Semi sentado na cama, a sua respiração era um eco da agitação interior que o consumia. A honestidade crua da esposa, longe de o afastar, tinha acendido nele um desejo avassaladora e selvagem, deixando o seu pénis hirto, rígido e latejante de puro tesão.
Catarina, percebendo a profundidade da conexão que partilhavam naquele momento, aproximou-se com um olhar repleto de cumplicidade e ternura. A honestidade daquela conversa tinha derrubado as últimas barreiras entre ambos, permitindo que se vissem com uma clareza renovada.
Tirando o pénis de Heitor de dentro das calças que com dificuldade o albergava, segurou-o com as duas mãos e sentindo o calor e a força que emanavam dele, enfiou-o na boca beijando-o sem pudor. Acariciava-o com a língua e ia introduzindo cada vez mais fundo, como se medisse a cada momento a profundidade que lhe era permitida. Havia uma promessa implícita em cada gesto, uma aceitação total de quem eram e de tudo o que tinham superado juntos. Heitor sentiu-se compreendido, e o desejo que sentia era agora acompanhado por uma entrega profunda de Catarina, entregues àquele momento de paz e união, deixaram que a proximidade física falasse por eles. Cada toque era uma reafirmação do seu compromisso, uma dança suave de carinho e entrega que transcendia as palavras. Deixando-se guiar pelo momento, Heitor emquanto sentia os lábios sedosos de Catarina no seu penis começou a acariciar o peito e depois a cona da sua esposa, sentindo ainda os vestígios do esperma húmido deixado pelo momento no hospital com Rodrigo. Não o incomodou, antes deixou-o mais receptivo ao prazer dado por Catarina, vendo que ela reagia com prazer ao toque inesperado. A carícias eram só momentaneamente cortadas por algumas palavras de Catarina.
- Gostas que te chupe assim? Queres vir-te na minha boquinha? - e Heitor sem conseguir responder num êxtase crescente, acabou por libertar na boca de Catarina toda essa tensão que vinha a acumular.
Foi na penumbra do quarto, que encontraram o refúgio onde o passado e as incertezas do futuro não podiam alcançá-los. Naquela noite, a partilha dos segredos não os tinha enfraquecido, pelo contrário, tinha fortalecido os alicerces de uma relação construída sobre a verdade e a entrega mútua, garantindo que enfrentariam juntos qualquer desafio que o destino lhes reservasse.
A tensão que antes pairava dispersa entre as paredes do hospital e o silêncio da casa acabou por colapsar num fim de tarde cinzento. Heitor acompanhara Catarina ao turno da tarde, mas com o pretexto de ele próprio ter uma consulta médica com Rodrigo. Uma boleia rápida transformou-se no preenchimento de um convite implícito. Quando a porta do gabinete de Rodrigo se fechou atrás dos três, o clique do trinco deu o sinal de início de um ritual há muito desenhado nas mentes de cada um. Não havia espaço para hesitações ou ciúmes. A árvore e o fruto já estavam definidos, restava apenas a celebração da carne que os unia.
Rodrigo, de pé junto à secretária, mantinha o olhar fixo em Catarina, sentindo o habitual e rebelde magnetismo erguer-se hirto, na urgência já habitual que o consumia desde o regresso dela. Heitor, por seu lado, mantinha a calma de um guardião que decodificara o mapa do prazer da esposa. Sem palavras, Catarina deu o primeiro passo, retirando o uniforme e deixando que a lingerie justa e rendada de um preto sedutor, revelasse as suas curvas acentuadas. Ela olhou para os dois homens, as pernas já a tremer numa taquicardia familiar, o clitóris a pulsar sob o tecido da lingerie húmida de pura antecipação.
— Quero-vos aos dois. — disse ela, com uma voz carregada de uma ordem inquestionável. — Quero sentir o amor e a selvajaria juntos.
Rodrigo avançou de imediato, despido de qualquer falso pudor. As suas mãos grandes prenderam a anca de Catarina, puxando-a para um beijo sôfrego, devorando-lhe os lábios com a fome antiga dos encontros anteriores. Enquanto as línguas se entrelaçavam com violência, Heitor posicionou-se atrás dela. Com uma delicadeza que contrastava com o fulgor do médico, Heitor despiu o resto dos tecidos que ainda cobriam a esposa, expondo a nudez sedosa da sua pele. Enquanto a beijava na nuca arrepiada de prazer, os seus dedos, que ela outrora descrevera como mágicos, desceram carinhosamente pelo ventre agora firme até alcançarem a sua pélvis, já totalmente ensopada e a escorrer desejo.
Catarina arqueou as costas com um gemido abafado quando sentiu os dedos de Heitor a massagear o seu clitóris com precisão milimétrica, ao mesmo tempo que Rodrigo lhe mordia suavemente os mamilos erectos, descendo a saliva quente pelo peito cheio de leite. O odor dos três misturava-se no ar fechado do gabinete, criando uma fragrância única de luxúria consentida.
Sem perder tempo, Rodrigo libertou a sua piça de aço. Heitor ajudou a erguer Catarina, debruçandi-a na borda da marquesa de exames, com as pernas abertas e totalmente entregue. Rodrigo posicionou-se e, com uma estocada firme e profunda, penetrou-a até ao fundo da cona. O choque térmico daquele calor apertado arrancou um rosnido ao médico, enquanto as paredes vaginais de Catarina se contraíam intensamente, abraçando o falo que a invadia.
A cadência rápida de Rodrigo fazia os corpos baterem num ritmo implacável, mas o prazer multiplicou-se quando Heitor se ajoelhou diante dela e sem qualquer constrangimento, começou a lamber e a chupar o clitóris exposto de Catarina a cada estocada do médico. A dupla estimulação levou-a a um estado de euforia irracional. Ela enterrava as unhas de uma das mãos na nádega de Rodrigo, como se o empurasse para penetrar bem fundo e com a outra puxava os cabelos de Heitor, oscilando entre os gritos sufocados de êxtase e os gemidos contínuos que ecoavam no gabinete.
— Sim, continuem... sinto-vos tão bem aos dois... é tão bom! — implorava Catarina, desfeita em espasmos rítmicos à medida que se vinha repetidamente sobre a boca de Heitor e em redor da piça de Rodrigo.
Heitor, partilhando daquela eletricidade crua e vendo os vestígios do escorrer abundante, ergueu-se e substituiu o médico na rotação do desejo. Ainda de costas, com as ancas seguras pelas mãos firmes de Heitor, Catarina recebeu a penetração profunda do marido, sentindo o vigor e a força do amor que os reconectava. Rodrigo, incapaz de se afastar daquela torrente, posicionou-se diante dela, oferecendo-lhe a sua ereção hirta. Catarina envolveu-a na boca sem pudor, chupando-o com devoção, deliciando-se com o calor e o sabor que antecediam o clímax. Heitor acelerou as estocadas, focado na profundidade total da esposa, enquanto Rodrigo, já no limite do descontrolo, se retirou da boca dela para se posicionar junto ao peito cheio. Num último esforço selvagem, Heitor descarregou-se com todo o seu fulgor diretamente no fundo do útero de Catarina, jorrando o esperma quente que selava a aliança entre ambos. Quase no mesmo segundo, Rodrigo, dominado pelo tesão daquele momento místico, masturbou-se com rapidez e jorrou o seu leite abundante sobre o ventre e o peito dela, misturando o sêmen com o leite materno que escorria suavemente.
Ficaram os três abraçados por momentos no gabinete, com a Catarina no meio dos dois, como foco da devoção. O silêncio recuperado já não era ensurdecedor, era a paz de uma engrenagem construída em volta de Catarina. Sabiam que as portas se abririam, os murmúrios nos corredores continuariam e o mundo exterior manteria a sua ordem factual, mas ali dentro, a verdade do prazer e da entrega tinha redesenhado o destino das três personagens para sempre.
Aos 28 anos, Sebastião sentia que a vida tinha finalmente encontrado um rumo seguro. O casamento com a mulher que amava, Helena, estava marcado para o final do verão e os preparativos exigiam aquela burocracia fastidiosa e rotineira que antecede os grandes passos. Foi num desses exames pré-nupciais de rotina, numa consulta médica sem história, que o mundo factual e biológico colidiu com a sua realidade. O médico olhou para os resultados das análises ao sangue, franziu o sobrolho e, com a frieza de quem lida apenas com dados científicos, apontou para o papel.
— O teu grupo sanguíneo não bate certo com o que indicaste na ficha familiar, Sebastião. É biologicamente impossível seres filho do teu pai, se ele tiver o grupo que aqui está registado.
O choque inicial correu-lhe pelas espinhas como um arrepio gélido. Sebastião crescera sob a asa protetora de Heitor, um homem que sempre conhecera como um guardião sereno e firme. Heitor fizera carreira na Guarda Nacional Republicana. Com um rendimento modesto, desmultiplicava-se em turnos extra e trabalhos gratificados, sacrificando horas de sono e o próprio corpo para garantir que ao filho nunca faltassem os livros, os estudos e um estilo de vida cómodo. Era o exemplo vivo do trabalhador honrado, um educador exemplar cuja dedicação paternalista moldara o caráter de Sebastião. Como podia aquele sangue ser mentira?
Naquela mesma noite, a confrontação aconteceu na penumbra da sala onde tantas vezes se celebrara a união daquela família. Sentada frente ao filho, Catarina viu o ecrã do telemóvel e os papéis das análises sobre a mesa. Os seus lábios, outrora preenchidos pela vivacidade da juventude, tremeram ligeiramente, mas a sua voz não guardou barreiras ou falsos filtros. Despida de amarras morais, tal como sempre vivera a sua própria intimidade, revelou-lhe o segredo que o betão do hospital e as paredes de casa tinham guardado há quase três décadas.
— O teu pai biológico é o Rodrigo, o médico do hospital. — sussurrou Catarina, mantendo o olhar fixo no filho. — A nossa ligação nunca terminou verdadeiramente, Sebastião. Mesmo depois de nasceres, continuámos a manter contactos regulares. Sempre foi puramente carnal, visceral e sexualizado que se consumava nos recantos do hospital. Heitor sempre soube da nossa verdade e, no entanto, escolheu-te a ti como a sua maior aliança.
A revolta inicial de Sebastião explodiu num silêncio ensurdecedor, revoltado por uma história de paternidade que lhe fora ocultada durante toda a sua existência. Sentia-se um fruto nascido de um desejo selvagem e alheio. Mas à medida que a noite avançava e o eco das palavras da mãe assentavam, a imagem de Heitor, o homem fardado, cansado dos gratificados, mas sempre presente com um sorriso e um abraço protetor, ergueu-se acima de qualquer código genético.
A biologia tinha-lhe dado um progenitor ausente, aprisionado na sua própria solidão hospitalar, mas a vida tinha-lhe dado Heitor. Compreendeu, finalmente, que o verdadeiro pai não fora o fulgor que o gerara, mas sim a árvore que lhe dera sombra e sustento. Heitor fora, e seria para sempre, o melhor pai que poderia ter tido.
A farda da Guarda Nacional Republicana estava cuidadosamente pendurada na cadeira da entrada, ostentando as marcas de uma vida inteira de serviço e sacrifício. Heitor estava sentado à mesa da cozinha, os olhos cansados fixos numa caneca de café, quando Sebastião entrou. Não houve necessidade de explicações detalhadas ou de introduções longas. O olhar de Sebastião, vermelho pelo choro contido ao longo do caminho, e os papéis das análises ligeiramente amarrotados na sua mão direita diziam tudo.
Heitor ergueu-se devagar. O corpo, agora mais pesado e marcado pelos anos de turnos da noite e trabalhos intermináveis sob o frio e a chuva, mantinha a mesma postura de guardião sereno que Sebastião conhecia desde a infância. Ele olhou para o filho, agora o homem de 28 anos que ajudara a moldar com tanto rigor e amor e abriu os braços, sem dizer uma única palavra.
Nesse instante, todas as barreiras desmoronaram. Sebastião avançou e deixou-se cair contra o peito de Heitor, escondendo o rosto no seu ombro e chorando como não o fazia desde menino. Era um choro convulso, uma mistura de revolta pela verdade biológica oculta e de um alívio avassalador. Ao rodear os braços em volta do pai, Sebastião sentiu exatamente o que precisava, a eterna segurança do progenitor de educação. O cheiro familiar de Heitor, a firmeza do seu abraço e a solidez do seu peito eram a única âncora real num mundo que parecia ter colapsado.
Enquanto as lágrimas de Sebastião lhe molhavam a camisola, Heitor limitou-se a acariciar-lhe as costas com as suas mãos grandes e calejadas pelo trabalho duro. Aquelas mesmas mãos que se tinham desmultiplicado para pagar os manuais escolares, as propinas da universidade e para lhe garantir um estilo de vida, de quem nunca quis que ao filho faltasse nada. Heitor anulara-se uma vida inteira. Abdicara do seu orgulho, do seu descanso e até de parte de si mesmo, engolindo os segredos do passado para continuar a ser, dia após dia, o verdadeiro pai.
— Tu és o meu pai. — soluçou Sebastião, apertando-o com ainda mais força, como se quisesse infundir no próprio sangue a certeza daquela criação. — Tu és o meu único pai.
Heitor afastou-o suavemente, segurando-lhe o rosto com as duas mãos e olhando-o nos olhos com uma ternura profunda e inabalável.
— Eu sempre fui teu, meu filho. E tu sempre foste meu. Nada num papel ou num tubo de ensaio vai mudar o que construímos juntos nesta casa.
Naquele momento de uma segurança que reconhecia, Sebastião compreendeu a verdade mais pura da sua existência. A biologia é apenas um impulso factual e mecânico do corpo, o fulgor de um momento que dá início a uma engrenagem. Mas a paternidade real não se dita em laboratórios. Quem cria, quem abdica do próprio sono, quem dá o rosto nas maiores tribulações e quem oferece o ombro para acolher as tempestades da vida é que é o verdadeiro pai. Rodrigo dera-lhe apenas a vida biológica, um início abstrato antes de regressar à solidão dos seus gabinetes e das suas necessidades carnais, sem nunca assumir um vínculo ou dar a cara. Mas fora Heitor quem se fizera árvore para lhe dar sombra, transformando o dever de educar no maior e mais sagrado ato de amor.
FIM
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