Mais um dia intenso, preenchido de sentimento de perda, mas também de uma estranha alegria gerada na compaixão, de uma partida com dignidade e serenidade de quem se encontrava num sofrimento físico e emocional de uma partida consciente e anunciada.
Ver partir quem já conhecemos, alguém que teria ainda muita vida pela frente, gerou em mim um sentimento de uma saudade enorme de todas as pessoas que já conheci e que de alguma forma me marcaram, seja por pequenos gestos que ficaram, pelas palavras que ainda ecoam dentro demim, ou simplesmente pela sua presença inspiradora. Alguns até desconhecidos, mas que guardei o rosto, outros que nunca mais voltei a ver.
Recordei hoje estas pessoas com as quais me cruzei pelos vários e distintos locais pelos quais passei. Não que guarde as memórias dos locais em si, desprovidos de vida ou de um vazio de pertença ou mesmo das pessoas que lá encontrei e que se misturavam com as paredes inanimadas, como se fossem um contínuo com a estrutura física em si, mas sim daqueles que davam vida aos locais com a sua humanidade.
Recordo-os pelo extraordinário que eram, mas sobretudo por, no ordinário, naquilo que era comum, aplicarem um amor extraordinário. São estes que invocam em mim essa saudade, que tornam frágil o forte que aparento ser. Apetecia-me hoje abraçar cada um deles, com força, num gesto prolongado em que cada um pudesse sentir a marca profunda e inextinguível de um sentimento que perdura e me preenche o coração e a alma e dizer obrigado pelo que foram para mim e que certamente são para cada um e para todos.
Obrigado aos que continuam a ser parte de mim

Sem comentários:
Enviar um comentário