quinta-feira, julho 16, 2026

Salva-te a ti mesmo

Nas discussões vivas de quem luta para manter acesa a chama de uma relação em que o conceito de amor parece mutar a cada momento, surgem alturas em que percebemos que é impossível tentar resgatar quem não quer ser salvo. Como se o mar não escutasse os apelos de quem escolhe afundar-se, por mais que lancemos a corda. Gastar a nossa energia na tentativa hercúlea de mudar o outro é como desenhar na areia enquanto a maré sobe, um esforço em vão que apenas nos consome e esvazia.

Com o tempo e a permanência, percebemos que as pessoas só conseguem oferecer aquilo que carregam no peito. Exigir amor de quem está deserto, compreensão de quem só se escuta a si próprio ou compaixão de quem vive na amargura, é uma ilusão que alimenta o desespero. Mendigamos tanto por atenção, por afeto ou carinho e tomamos percepção de que tudo isso já habita dentro de nós. Pedimos lá fora, esperamos dos outros essa atenção e esquecemo-nos, contudo, de nos oferecer a nós próprios esse mesmo cuidado. Anulamo-nos na urgência de ser o cais dos outros, ignorando que o nosso próprio barco está à deriva, abdicamos de nós, vestindo a capa de heróis de histórias que não são nossas.

Depositar no outro a responsabilidade da nossa cura é caminhar de olhos vendados para o sofrimento. A mudança que procuramos não virá do exterior, mas sim do romper das amarras que nos prendem a quem e ao que nos desgasta.

É preciso erguer os olhos e escolher o nosso rumo. Procurar estar rodeado de quem vibra na mesma frequência de luz, de quem nos desafia a crescer e de quem nos inspira a ser a nossa melhor versão. Quando escolhemos caminhar ao lado de quem nos eleva, o fardo fica mais leve e o horizonte ganha um novo brilho. No processo é preciso não esquecer de nos salvarmos a nós próprios também. Tudo o resto é só caminho.

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