As lágrimas são o idioma mais honesto da nossa alma. São autênticas palavras que não precisam de tradução nem de filtros, surgindo sempre que o peito se torna pequeno demais para guardar tudo o que sentimos. Olhando para trás, percebo que a minha história também se escreve com a água que me correu pelos olhos.
Já chorei porque me magoaram, sentindo o peso frio da injustiça na pele.
Já chorei porque magoei, carregando o arrependimento amargo de ter falhado com quem me estendia a mão.
Já chorei porque me humilharam, no silêncio de um canto onde o mundo parecia desabar.
Já chorei porque fui orgulhoso e não pedi desculpa, aprisionado numa fortaleza que eu mesmo construí.
Já chorei porque me senti ofendido, deixando a ferida arder antes de cicatrizar.
Já chorei porque me senti grato, quando o peito transbordou de um amor tão grande que não coube em palavras.
Cada uma dessas gotas cumpriu o seu papel. Chorar é esse mecanismo de libertação de uma raiva, angústia ou felicidade acumulada. Longe de ser um sinal de fraqueza, o choro é o transbordo da nossa humanidade, é o filtro que limpa o olhar, ajudando o corpo e a alma a descomprimir e a restabelecer uma nova serenidade.
Por isso, nunca escondas as tuas lágrimas nem te envergonhes do teu desabafo, deixa que elas lavem o que passou e preparem o solo do teu coração para o que há de vir. Depois da tempestade que desagua dos olhos, a alma ergue-se sempre mais leve, mais forte e pronta para recomeçar com uma paz renovada.

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