Sinto-me uma fraude. Um filósofo de bolso de teorias e reflexões sem conteúdo e que passa a vida a mandar larachas para o ar, como se fosse um expert em qualquer matéria.
As inocentes pessoas, que estão ávidas de sentir a presença de alguém que as ouça, depositam em mim exagerada esperança e vontade de ver apoio, consolação ou iluminação do trilho que cada uma tem que percorrer pessoalmente.
Com a tentativa de partilhar sentimentos positivos e ser boa disposição a todo o momento, descobri que é no silêncio da escuta e um bocadinho da minha filosofia barata, que faz algumas pessoas sentirem-se um bocadinho melhor.
O mal é que me vejo a ser incongruente na minha forma de ser, tal catavento que vira conforme lhe dá o vento, com a capacidade de argumentar e justificar qualquer coisa e a seguir o seu contraditório, tal advogado do diabo.
Bastou levantar um pouco do véu, para se vislumbrar debaixo, a caixa de Pandora e com ela todos os males do Mundo, as angústias individuais e familiares. E fiquei com medo. Medo de não estar à altura das exigências de lidar com a psicologia humana, com os seus problemas, debates interiores, pois o mundo cor-de-rosa em que habito é isento de alguns dos dramas reais.
Por isso decidi algo muito disrruptivo na minha vida. Deixar-me de tretas, de conteúdos que em nada acrescentam a vida de alguém, salvaguardar os meus segredos e deixar de colocar neste blog o que corre livre e sem organização, dos corpos imateriais que controlam a minha mente, para me focar nas pessoas de carne e osso que habitam em meu redor.
Já estive anos sem me visitar, e nem por isso deixei de crescer interiormente. Decidi voltar a viver plenamente, em vez de me tentar convencer que as opções que tomei para mim foram as melhores. Talvez um dia volte, mas com conteúdos mais leves, tal revista social preenchida de banalidades, que pela simplicidade, entretém, sem adicionar.






