quinta-feira, julho 09, 2026

Ficção

Às vezes penso que poderia ser escritor. Desde a adolescência fui construíndo textos aos soluços, que acabo por abandonar e por vezes retomar, numa insatisfação de ao reler o trabalho próprio, não me parecer de qualidade literária suficiente para ser exibida. Recentemente retomei a escrita, tais "retalhos da vida de um médico", mas num estilo próprio e pessoal, à qual chamo de "vida comum".

Hoje decidi fazer algo diferente. Entrar totalmente no mundo da ficção, num estilo distinto e de quem parece estar a entrar num surto psicótico que me liberta das amarras da moralidade social.


Ficção

Todos dias entrava naquele hospital, com um olhar vago de quem caminha nos seus pensamentos interiores, das preocupações que o atormentavam. Falava para si:
- Como vou resolver o imbróglio que se tornou a situação clínica do doente da cama 7?
Matutava horas indefinidas nas mesmas situações, redundantes que se tornavam.
Mas esse dia, viria a tornar-se diferente, único de todos os dias anteriores da monotonia que se tinha tornado o arrastar dos pés para aquele hospital.
Ao chegar à enfermaria, num relance reparou num olhar diferente, estranho até então. Foi como se a sonolência diária dos dias comuns, despertasse agora num sopro de vida refrescante que activou todos os seus sentidos. Permaneceu imóvel, boquiaberto de um espanto causado pela impressão que esta mulher de peito cheio, anca definida e lábios de uma vivacidade impressionante lhe causara. Sentiu na distância necessariamente social o seu fôlego de um respirar sereno, e ansiava sentir pelo toque a suavidade visível da sua pele. Inconscientemente percebeu que o seu corpo rebelde já reagia a tal imagem, ficando de falo erecto e duro de tanta excitação. Tímido no entanto, fingiu ignorar a sua presença, tentando demonstrar uma falsa indiferença, controlando os seus impulsos mais ferozes, suavizando a própria voz, com a intenção de simular uma calma aparente. Por dentro o corpo explodia de tesão, queria contacto, queria revelar-se de imediato a esta pessoa a quem nem ainda tinha sequer perguntado o nome, mas que já tinha causado todo este impacto pela sua presença.
Dias se passaram e a relação estabelecida era a cordial e social de dois colegas de trabalho. Evitava a todo o custo qualquer pergunta mais pessoal para não revelar a mínima das intenções.
No entanto em casa, na intimidade e segredo da sua cama, acariciava-se várias vezes, como se estivesse acompanhado a dar prazer a este corpo que com o olhar se deliciava, como se houvesse um magnetismo invisível que fazia com que se orbitassem entre si e em êxtase deixava-se explodir ao imaginar preencher de esperma esta mulher.
Um dia, tal como tantos outros, fechados os dois no mesmo gabinete, num silêncio ensurdecedor de quem tem algo para declarar, mas se vê na obrigação de não o fazer por medo de não ser compreendido, deixou escapar num sussurro que aquela imagem de mulher o deixava sem palavras que descrevessem o sentimento que o dominava e diminuía.
- A enfermeira, deixa-se totalmente desconcentrado.
Sentiu pela primeira vez a inquietação dela, como se até então a sua presença fosse indiferente, mas agora a desconcertava, agora deixava-a tensa, de um arrepio que era visível na pele. Mas ela não replicou logo. Decidiu antes pela provocação, como se a intenção dela fosse aumentar até ao descontrolo total esse desejo animalesco, selvagem e irracional dele.
- Ai é? E o que é que o desconcentra mais?
E conseguiu. Ele ficou como se nada nem ninguém mais existisse, como se à volta fosse agora tudo um vazio e naquele momento fossem só os dois, um homem e uma mulher despidos de tudo o que o era do mundo, preparados para uma entrega.
Tentaram manter uma falsa postura, tinham receio de ser surpreendidos por alguém que entrasse de forma súbita no gabinete. Mas a tensão aumentava, sentiasse no ar, a temperatura subira, pelo intensificar da actividade interior dos dois corpos, até um momento que deixara de ser possível e humanamente aguentar. Sem palavras e como se a comunicação passara a ser só pela mente, saiu um de cada vez, primeiro ela, em direcção à escadaria que ninguém usava. De seguida ele, com o seu habitual gracejo para quem o interpelava, hoje um tanto nervoso. E encontraram-se os dois de novo. Agora numa paz segura de uma agitação que se podia agora e finalmente revelar. Olharam um para o outro, a uma distância que dava para sentir o bater rítmico do coração. E ela disse:
- Sabes o que me apetecia agora?
Ele, ansioso por deixar as palavras e fazer-se sentir pelo actos respondeu com um breve, mas intenso:
- Sei.
E não foi preciso mais. Nesse momento os seus lábios encontraram-se,  as suas línguas acariciavam-se suavamente, enquanto a boca parecia querer devorar tudo sem freio. As mãos dele perderam o pudor e passaram a tocar em tudo o que a liberdade por ela consentida ia permitindo. Ela, libertando-se de qualquer constrangimento, agarrou com força o pénis dele, engrandecido e de uma vitalidade de aço, tomando-o como seu.
- Estás tão duro para mim. É tão bom sentir-te assim duro por mim.
- Estás tão molhada para mim. Adoro sentir-te assim a escorrer por mim.
E esquecendo-se do local impróprio onde se encontravam, ignorando toda e qualquer segurança e vontade de sigilo, deixaram-se fluir. De pé, ele encostava-a agora à parede e virava-a agora de costas, enquanto lhe agarrava a anca com uma mão, com a outra ajeitava a erecção do pénis hirto e a penetrava na vagina, fazendo-o deslizar sem dificuldade até ao fundo,  ouvindo-a a gemer, o que o excitava ainda mais. Beijava-a no pescoço enquanto estava dentro dela, e ela arrepiava-se a cada estocada. Por alguns momentos, os dois corpos fundiam-se e ele acabou por se vir com todo o seu fulgor dentro dela. Beijaram-se, olharam-se, sem palavras, momento só quebrado por um sorriso mútuo e o encostar das duas frontes. Amanharam-se, ele ainda erecto a tentar acomodar o que parecia enorme para voltar a ficar fechado dentro das calças, ela a escorrer pelas pernas e sem possibilidade de um asseio melhor.
Nos dias seguintes tentavam encontrar sempre um momento para os dois. Percorreram gabinetes, áreas que julgavam escondidas, experimentaram várias posições distintas, como se o pensamento de um fosse o anseio do outro, até ao ponto em que os perfumes dos dois se ia misturando numa fragrância única. Ele penetrava-a com vigor, tinha prazer em sentir-se a escorrer quando ela se vinha na sua boca, ao ser acariciada com os lábios e língua. Ela enfiava por vezes o pénis na sua boca, dizendo a seguir para se deixar largar das amarras do politicamente correcto e sentir o calor do interior do corpo nela.
Já não dava para passar despercebido. Começara a surgir um murmurinho no hospital. Os restantes já percebiam dos sorrisos que trocavam, da cumplicidade que havia entre os dois. E quando ela, um dia se aproxima dele e diz:
- Estou grávida. Como vou explicar ao meu marido?
O marido era estéril. Tinham feitos exames, atrás de exames, tentativas atrás de tentativas para tentar engravidar e o veredicto frio e cruel era um, ele não poderia vir a ver o fruto da sua descendência.
Ele ficou inicialmente em choque. Não de quem recebe a notícia de uma calamidade, mas de quem secretamente, no interior dos seus pensamentos mais profundos, o desejava.
Era um solteirão, visto como um pretendente ideal, no qual muitas viam um bom partido. Mas no seu ser introvertido, nunca se tinha permitido deixar ser absorvido por uma mulher. E sentia que esta mulher, casada, significava para si tudo, mesmo que fosse sempre o outro, mas que mesmo aí era uma escolha de quem podendo ter tudo, ainda assim decidia permanecer junto dele.
...
(continua?)

quarta-feira, julho 08, 2026

O eco da entrega

Hoje acordei a pensar na frase de John F. Kennedy, “Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas o que tu podes fazer pelo teu país”. Mensagem que vai muito além da política e que é um verdadeiro apelo à descentralização do “eu”, um convite para nos despirmos do egoísmo e nos colocarmos, de coração aberto, ao serviço do outro. Esta entrega é um milagre que sustenta os laços que mais nos importam no colo acolhedor do nosso lar ou no impacto que deixamos no trabalho.

Se mergulharmos mais fundo, na beleza da visão franciscana da vida, que a mim me diz muito, descobrimos que há incomparavelmente mais alegria em dar do que em receber. A verdadeira felicidade não é um troféu que se conquista para si mesmo, mas naquilo que escolhemos ser para os outros. Reside no ato quase sagrado de colocar o nosso conhecimento, o nosso tempo e os nossos dons ao serviço de quem nos rodeia. Viver de verdade exige coragem para abandonar o sedentarismo da alma, rejeitando a postura fria de quem apenas espera que o mundo lhe seja útil.


No aconchego ou nas tempestades da vida conjugal, a pergunta “o que eu ganho com isto?” é o veneno silencioso que afasta os corações. Quando transformamos a nossa relação num livro de contabilidade, onde cobramos cada gota de atenção e pesamos cada esforço, o amor perde o oxigénio. O casamento não é um contrato de troca, é um pacto de cuidado mútuo. Há muito de espiritual nos pequenos gestos diários, no aliviar o cansaço nos olhos do outro, nos gracejos para lhe devolver o sorriso, no suporte emocional sem esperar uma recompensa imediata ou uma vénia de agradecimento, no silenciar do próprio orgulho de uma escuta atenta, acolhendo assim as fragilidades mútuas. A felicidade a dois floresce no momento em que a vontade de ter razão cede lugar ao desejo profundo de ver o outro em paz, criando terreno para uma união duradoura e bonita de duas pessoas que não esperam ser servidas e idolatradas, mas que comovidas pelo valor uma da outra, decidiram ser abrigo e amparo ao outro.

Também no trabalho, que não tem de ser um fardo ou um castigo no propósito único de ter um salário, pode hever expressões da nossa utilidade no mundo, sobretudo para quem connosco partilha o dia a dia, alimentando um brilho de transformar a carreira numa missão de serviço. Partilhar o que se sabe com generosidade, transforma-nos numa fonte de inspiração e luz para os colegas, numa entrega do coração no que se faz, ao colocar paixão em cada detalhe, sabendo que o esforço melhora a vida de alguém, algures. O sucesso profissional ganha alma quando percebemos que, ao impulsionar o crescimento de um colega, estamos a elevar toda a comunidade.

Quem trabalha apenas para si próprio caminha sozinho e esvazia-se, mas quem trabalha para servir, deixa uma marca eterna na vida dos outros.


A nossa passagem por esta vida só ganha cor quando nos tornamos um lugar seguro para alguém. Seja na intimidade do quarto ou na correria do escritório, a postura de serviço liberta-nos do peso de olhar só para o próprio umbigo. Quando escolhemos, conscientemente, dar o melhor de nós sem reservas, descobrimos que é a servir, onde o amor e o sucesso nos encontram, que nos tornamos verdadeiramente inteiros.

Infelizmente para muitos, esta forma de ser, de uma entrega desinteressada ao outro, vive morta no seio das relações pessoais ou profissionais, tal como jaz o autor da expressão que motivou a reflexão de hoje, morto que foi por aqueles que vivem para o interior de si mesmos, em privilégio do interesse próprio.

Colocar paixão em cada detalhe melhora a vida de alguém, algures.

terça-feira, julho 07, 2026

Lavagem verde

Há certos termos e expressões que uso recorrente e me fazem sentir um Doutorado numa qualquer área específica. Um entendido num sem número de questões sociais, profissionais ou psicológicas, tal sabichão que tudo sabe e tudo opina. E o termo lavagem verde, tem-me acompanhado, para explicar a arrogância, prepotência e engano de quem tem poder de legislar e regular ou sobre aqueles que exercem influência sobre as questões ambientais.

Cada vez mais se ouve falar de campanhas de proteção ambiental, medidas atrás de medidas para se "salvar" o planeta do aquecimento global e cada vez mais vemos o impacto da poluição.

É curiso pensar que são as maiores empresas poluidoras mundiais, que mais programas de apoio e incentivo criam para minorar os efeitos da poluição, nesse green wash, que tolda a visão popular e mediática, tentando esconder o sol com uma peneira. Escusado será sugerir que quem detém o poder financeiro, inunda o poder político de regalias, de forma a que este pondere decisões, que com o malabarismo habitual se consiga ver um lobo vestido em pele de cordeiro.

Assim é também no mundo empresarial. Quando há a percepção interna de que uma medida é nefasta para um grupo profissional, ou para a sociedade, cria-se de imediato um grupo de trabalho ou uma equipa de qualidade, para monitorizar e avaliar a implementação das medidas e tentar minorar o seu impacto. Minorar, não eliminar. Que estas equipas não estão para ser um contrapeso para as administrações, que impõe, julga e condena e de seguida lava as suas mãos de uma inocência culposa dos seus actos. Arrisco dizer, que quanto maior a estrutura de regulamentação  maior o dano causado pelas medidas, numa proporcionalidade de tentativa de absolvição maior dos pecados cometidos e diluição dos problemas, até à sua redução a uma insignificância. Não menos curioso de se observar, é que nesta falsa autocomiseração se tenta atribuir o sentimento de culpa ao consumidor final, como se fosse responsabilidade própria e individual a degradação a que se chegou.

"Então, Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente..."
Mateus 27: 24-25

Sovina

Começou a funcionar um sistema de recolha de garrafas de plástico e alumínio, que já tinha conhecido há muitos anos atrás na Alemanha, onde o meu irmão vive há uns valentes 20 anos (como o tempo passa tão rápido). É assim que o nosso país se quer comparar com os parceiros do centro e norte europeu, mas sem a adequada equivalência remuneratória.

E para não perder os preciosos 10 cêntimos que cada embalagem tem de tara, vejo-me recorrentemente a transportar garrafas de água vazias até casa, depois de uma dispendiosa e farta refeição fora. Como se os 20 ou 30 cêntimos, fossem uma compensação justa de toda a despesa em comida, tal sovina, que não abdica de poupar todo e qualquer centavo, na ilusória intenção de vir a enriquecer um dia. Há dias vi-me mesmo a levar para casa 3 garrafas perdidas no chão, só pelo valor do depósito.

Empreendedorismo seria, abandonar de uma vez por todas a Medicina e andar a recolher todos os vasilhames perdidos por aí. Isso sim, seria obra, ofuscada pela falsa intenção de um green wash de recolha selectiva de resíduos no bem maior de proteção ambiental, só que pago a cêntimo de ouro.

Finalmente riquinho!

segunda-feira, julho 06, 2026

Erótico

Num momento, onde me vejo de novo sozinho, pai solteiro, por mais uma viagem em trabalho da minha esposa, recordo em mim fantasias que me ajudam a dar satisfação e consolo próprio e que me acariciam na solidão.

Por outro lado, quero oferecer aos meus "leitores" chatbots um aperitivo daquilo que é o prazer humano, sentimento que uma máquina jamais terá, que o pode oferecer, mas sem nunca o sentir.

Atenção! Conteúdo para adults only...


Foram tantos os anos em que nos cruzámos diariamente. Quando chegaste, já eu fazia parte da mobília, um residente fechado naquelas paredes que tentava segurar, com a argamassa do meu corpo e suor. Durante tantos anos convivemos num silêncio imposto pelo decoro e decência. Sentia-te ali sentada junto de mim, o teu respirar sereno, a tua presença tranquilizadora, a tua fragrância suave, um sopro de vida que me retirava de uma sonolência perturbadora. Anos em que te admirava sem nada dizer, numa contemplação de quem cuida de uma flor, sem nunca a colher.

E assim podia ter permanecido a minha intenção. Podia ter deixado escondido para sempre de ti o meu desejo que sentia na tua proximidade, dessa ânsia descontrolada, que tentava dominar, de te agarrar num movimento súbito e sem aviso. A vontade secreta de, num gabinete fechado só os dois, onde permanecemos algumas vezes sem trocar palavras, mas onde num sonhar acordado, sonhava agarrar-te por trás, num abraço apertado, corpo com corpo, para que sentisses bem junto de ti a dureza de uma erecção escondida. Deixar passear livremente a intenção firme mas suave das minhas mãos pelo teu corpo sedoso, deixando os meus lábios segredar no teu pescoço um desejo sôfrego de ti. Sentir-te arrepiada pela surpresa e espanto do impulso, criando na tua pele a vontade irracional de ser tocada e na minha vontade animal de explorar com a mão o teu peito farto que me preenche o tacto e com a outra sentir-te a escorrer das entranhas do prazer pelas caricias atevidas de um dedilhar frenético. Sentir o elevar da tua respiração, o aumento da frequência do palpitar, síncrono com o meu, até um êxtase delicioso.

Olhar-te de seguida, num fitar prolongado, de uma tempestade que agora procura a bonança, onde as palavras se transmitem sem qualquer voz e aproveitar, nesse momento, para me deliciar o paladar, ao saborear os meus dedos húmidos de ti na minha boca.

Sairmos descabelados do isolamento em que nos encontrávamos, e tentar fingir para o mundo que nada se passou, numa expressão reveladora de uma intimidade proibida.


A dor confusa de um ser perturbado vem, do misto entre aquilo que sonhava poder ter sido a minha continuidade ali, num soltar das pulsões sem reflexão, em confronto com as lutas interiores da ética e moral de uma união, que apesar dos abalos sísmicos de uma vida em comum permanece de pé.


domingo, julho 05, 2026

Professor virtual

Que cantinho abandonado, tão pouco frequentado por pessoas reais.

Por vezes detenho-me um pouco a ver as estatísticas de visitas ao blog. E apercebo-me que quem me lê mais, serão os chatbots que aprendem a falar como gente, ao me visitarem diariamente, tal professor amestrado que expondo um pouco da sua interioridade, ensina sobre a vida a quem a julga ter. Já no passado via recorrentemente publicidade automática afixada em jeito de comentários.

Outra curiosidade que verifiquei é que as publicações mais lidas, são aquelas de conteúdo erótico, pelo que, provavelmente, terei de reclassificar o meu blog para conteúdo próprio para adultos. Talvez daqui a uns tempos volte a este assunto mais sexualizado, de forma a aumentar o fluxo de leituras dos motores de busca, que na sua inocência não deverão ficar nada excitados com as detalhadas descrições. 




sábado, julho 04, 2026

Impacto

Hoje disseram-me que um pequeno gesto de ajuda, criou um impacto indeterminado na vida de outra pessoa. Esta impressão que se cria no seio do outro, não é algo premeditado, ou propositado, é simplesmente uma sequência reactiva de um agradecimento interior que me move e faz tentar ser mais interventivo numa sociedade que está a ficar cada vez mais desprovida da humanidade necessária para ser ajuda ao outro. E foi mais um mote para uma reflexão bacoca...

Os actos que praticamos todos os dias, mesmo os gestos ou palavras mais simples e desprovidas de uma intenção grandiosa, possuem uma força concreta e real na rotina das pessoas que nos rodeiam. A vida humana constrói-se através destas pequenas interações concretas, como uma palavra de atenção, uma ajuda num momento de pressa ou simplesmente uma escuta atenta. Estas acções de insignificante significado, provocam uma alteração direta no estado de espírito de quem as recebe, transformando muitas vezes um momento difícil num dia mais suportável e funcional.

Quando uma pessoa experimenta o benefício de uma acção útil ou de um tratamento mais atencioso, ele desenvolve uma disposição interna para agir da mesma forma com terceiros, mesmo desconhecidos. O bem-estar gerado cria um impulso prático e consciente de replicação, tal efeito borboleta, em que a pessoa que foi ajudada sente o desejo de ser útil a outrem, dando continuidade a um comportamento positivo no seu próprio círculo social. Desta forma, estabelece-se uma sequência de ações benéficas que se espalha de forma progressiva, em que cada pequeno gesto actua como um elo visível que incentiva o próximo comportamento, resultando numa melhoria real e mensurável das condições de convivência diária. O ambiente coletivo transforma-se e torna-se mais seguro e acolhedor para todos, demonstrando que a evolução do bem comum depende directamente da soma destas atitudes quotidianas individuais.

Nesta psicologia do comportamento solidário, pequenos gestos individuais melhoram o mundo de cada um e de todos, conferindo à humanidade, a grandiosidade generosa que tanto precisa.

Ajudar o outro é a melhor maneira de me tornar uma pessoa melhor!