quinta-feira, fevereiro 19, 2026
Potencial
terça-feira, fevereiro 17, 2026
Até onde nos permitiríamos ir?
São tantas as perguntas, tantas as dúvidas que surgem na minha mente... talvez seja por esse motivo. A mente, mente... inventa constantemente cenários impossíveis, inverosímeis, pouco realistas.
Até onde nos permitiríamos ir? Até onde poderia ir, uma qualquer loucura, onde nos entregássemos mutuamente ao desejo, a essa luxúria, esquecendo quase por completo a vida que nos rodeia. Seria possível?
Mas a insegurança e a cautela, diz-me que é tudo fruto da minha cabeça, nessa ilusão quase psicótica em que pareço viver permanentemente. E pelo dever de respeito, a ti, que tens uma vida própria, uma família a que ainda pertences. E pelo respeito aos meus, inocentes crianças, que ignoram o estado miserável em que vivo em união. Negligenciado em afeto e atenção, em modo automático de dona de casa, gestor de finanças e taxista.
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
Crise de meia-idade
Deixara (de novo) de expor aqui as minhas inquietudes. Tinha retomado o diálogo mútuo que elimina a necessidade de me auto confrontar com questões interiores que me atormentam, que criam angústia e dilema. Mas o silêncio em que a vida de casal, que tantas vezes se sobrepõe ao ruído do dia-a-dia, fizeram-me regressar ao cantinho, confuso e confabulante do meu eu.
Tenho refletido sobre a meia-idade onde, sem qualquer dúvida me encontro. Esse período de transição, que nos confronta com a finitude da vida, o envelhecimento físico e psicológico, com a necessidade de reavaliação e revalidação constante profissional e dos relacionamentos, tal como uma nova adolescência, só que na vida adulta.
E se de todas as mudanças, que causam, por um lado, insatisfação, tristeza, arrependimento, por outro, comportamentos joviais, expansivos, é o narcisismo que gera essa luta ética e moral interior que confunde e baralha.
Essa vontade estranha de nos sentirmos aceites, bajulados, apreciados, mesmo a nível físico, como se lutássemos contra o efeito irreversível do tempo no rosto e no corpo. Como sentíssemos a vontade de seduzir e nos sentirmos seduzidos, recusando ficar de parte, ao lado de uma vida efemeramente alegre.
E surge o conflito, com os valores de correção, respeito, lealdade e até dignidade própria que acaba por se perder nessa tentativa do constante "look at me".
E é nessa metanoia, que deve imperar o controlo de emoções, que parecem, em relação a valores e motivos maiores, banais, superficiais e fugazes.
Não pode haver felicidade, se com o nosso comportamento estamos a privar a felicidade de outros. A liberdade que julgamos ter em nós de mudar, não pode criar dor nas pessoas que são alvo de um qualquer devaneio pessoal de sedução, bem-estar ou aceitação.
domingo, janeiro 26, 2025
Segura a minha mão
As minhas batalhas são minhas. Este fardo é meu. Mas a tua presença lembra-me que, mesmo em pedaços, ainda sou digno de amor. Não precisas ser a minha salvadora; basta ser minha companheira. Quando a noite parecer infinita, segura a minha mão até que o amanhecer chegue, ajudando-me a lembrar da força que ainda existe em mim.
O teu apoio silencioso é o maior presente que me poderias dar. Não é o amor que me salva, mas o amor que me fortalece. É o que me ajuda a lembrar de quem eu sou, mesmo quando tudo em mim parece esquecido.
Quando eu me perder, estarás aqui? Não para me salvar, mas para caminhar ao meu lado até que eu encontre o caminho de volta.
sábado, janeiro 25, 2025
Difícil dizer adeus "de novo"
A vida é como um grande globo. Se caminharmos continuamente em frente, acabaremos por retornar sempre ao mesmo lugar, num reviver continuado de experiências passadas, ainda que nos pareça um local estranho e desconhecido.
Ao reler uma antiga publicação, onde refletia sobre a perda e a necessidade de dizer adeus ao passado, revi um comentário, que podia por si só ser uma das minha publicações.
Obrigado Shara, por onde quer que andes neste momento, pela tua reflexão.
"O meu entusiasmo não acabou e todos os dias passo pelos blogs dos amigos para saber um bocadinho mais deles. Não és excepção. Admito que me é estranho entender-te como uma pessoa com sentimentos tão marcados. Não, não tou a dizer que és "uma gajo sem sentimentos" :) O que axei dificil era tu (e mais algumas pessoas q conheço), que és sempre tão certinho, também deixares que o coração suplante a razão. Pois é querido Sebastião, bem vindo ao clube... É mt dificil dizer adeus, ás vezes torna-se quase impossivel abdicarmos de nós para respeitar a outra pessoa. E dói. Dói cada dia um bocadinho mais e um bocadinho menos. Dizem que o tempo cura mas se o tempo cura, porque demora tanto tempo a curar? Anyway, tb dizem q sofrer faz bem á alma e talvez faça. Pq só a sofrer se entende que o que nao nos estava reservado nunca nos pertencerá. Axo que nesse momento se deve atingir a tal aceitação, mas lá que custa, custa! Beijinhuz"
São Francisco de Assis
quarta-feira, dezembro 25, 2024
De luto
Faleceu recentemente um dos meus tios. Um dos mais próximos e queridos da nossa família nuclear. O que me fez refletir sobre o fim. A finitude de tudo. O fim da vida, o fim de relacionamentos, o fim de fases de vida que agarramos com força como à própria vida e que por vezes, morrem de forma precoce, contrariando a ideia de imortalidade do projecto primordial.
O fim, como o luto que daí advém, torna-se um processo íntimo de introspecção em que nos revemos vezes sem conta a reviver o que poderíamos ter feito de forma diferente, para conservar a "vida" que naquele momento termina.
Que fizemos para impedir o trágico desfecho? Tentámos corrigir-nos, adaptarmo-nos à mudança inevitável e em marcha, ou tentámos acelerar o processo de morte, eutanasiando precocemente o fim?
E é culpa que sentimos. Remorso de não ter suspendido ou revertido o processo de degradação e morte.
Ou alívio por ter cessado finalmente todo esse sofrimento que num fim mais ou menos anunciado vínhamos a sentir.
E no fim a solidão que nos espera, pela perda contínua e recorrente de tudo o que vivemos e deixámos morrer.
sábado, dezembro 21, 2024
1%
Ninguém tem 100% de certeza, seja do que for. Se a vida fosse estatística matemática, estaríamos continuamente a calcular probabilidades perante as várias opções, com as quais somos diariamente confrontados. Como se reduzíssemos as nossas decisões ao risco médio de se acertar no que está certo e errado.
E é essa possibilidade de erro, associado a um desvio padrão, que nos faz hesitar no assumir do que é o caminho mais certo para nós. Mesmo quando em todo o cálculo ou calculismo, temos uma certeza de 99% de estarmos certos, é esse insignificante 1% que passa a dominar toda a nossa vida. O medo do erro, da incerteza, de falhar, torna-se de uma dimensão tal, que não abafa a (o intervalo de) confiança de se estar certo. E vive-se obcecado por tentar abolir a dúvida que nos consome totalmente, nesse peso maior que tem 1 em relação ao mais leve 99.



