Há sensações que se explicam pela mecânica do corpo, mas o que sinto por ti escapa a qualquer lógica. É uma força que me puxa na tua direção, uma corrente elétrica que me domina os dias e me rouba o controlo dos pensamentos. Quando te vejo, não é apenas o meu corpo que se move e se agita com a urgência de te tocar, é a minha mente inteira que se rende à tua ideia, desenhando cenários de intimidade de dois corpos, onde deixamos de ser o que o mundo espera de nós.
Desejo-te como quem deseja um segredo partilhado no escuro, o fruto proibido de uma cumplicidade que só nós entendemos. Quero-te como minha amante, a personificação de uma fantasia que arde sob a pele e que não pede licença para existir. É um magnetismo bruto, carnal e absoluto, que me enche desse tesão duro, difícil de ignorar e que me consome por dentro e dita cada batimento do meu coração.
Esta atração que carrega o peso do proibido, a vertigem perigosa de cruzar uma linha sem retorno, de uma tensão constante em saber que não te posso ter à vista de todos, que cada olhar trocado é um desvio e cada pensamento contigo é uma traição às regras que nos cercam. Mas é precisamente esse perigo, o sabor clandestino do que está trancado no escuro, que torna o desejo ainda mais violento e possuidor. A proibição não trava o meu corpo, pelo contrário, incendeia-o.
Fisicamente, a tua imagem transforma-se numa reação inevitável, explícita e repetida. A urgência de ti manifesta-se de forma constante e desarmante, com ereções frequentes que denunciam o quanto me controlas, mesmo no silêncio dos meus pensamentos. O meu corpo endurece-se e reclama-te, respondendo ao teu perfume ou à simples memória das tuas curvas. É uma necessidade visceral de quebrar a barreira da pele, um desejo avassalador de estar dentro de ti, de me fundir no teu calor e de te possuir num espaço que seja só nosso, longe de qualquer julgamento.
Tentei encontrar palavras para descrever a exata medida desta atracção, a forma como a tua presença me destabiliza e como a promessa da tua pele me persegue. Mas a verdade é que esta urgência física e mental que me prende a ti, é de uma dimensão inefável. Não cabe em definições, não se traduz em frases e não se justifica perante ninguém. É um sentimento demasiado vasto e profundo para ser nomeado, que simplesmente vive em mim, avassalador, esperando pelo momento em que o teu corpo finalmente responda ao meu.

