sexta-feira, agosto 21, 2026

Um dia na praia

Da série ficção de... um psicótico que pensa que consegue ser escritor.

Mais um breve conto erótico, que parece produzido a papel químico de todos os restantes. A escrita corre pelos dedos de acordo com as vivências de quem as produz, alterando os contornos das palavras com os devaneios e ilusões próprias da mente.

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Adults only



Com o pretexto de uma formação conjunta em Lisboa, os dois amantes partiram numa viagem, movidos pela mesma vontade de fuga. Conduziram por estradas secundárias até encontrarem um refúgio intocado pela civilização. Uma praia deserta, entalada entre arribas monumentais da serra de Sintra e com uma vegetação selvagem que parecia protegê-los do resto do mundo.

O cenário era de uma beleza crua e imponente. O vento marítimo trazia o cheiro a sal e a estevas, e o som das ondas a rebentar na areia dourada preenchia o espaço com uma cadência hipnótica. Não havia uma única pegada além das suas. A imensidão do oceano à frente e as escarpas cinzentas atrás criavam uma moldura de absoluto isolamento. Ali, a natureza exibia uma liberdade sem regras, a mesma liberdade que os dominava por dentro.

Caminharam de mãos dadas até ao centro do areal, onde a brisa lhes tocava o rosto. Sem o peso dos casamentos, da rotina e dos uniformes do hospital, a necessidade de fusão física tornou-se imediata. Começaram por despir-se devagar, deixando que o ar fresco da praia lhes arrepiasse a pele. Ele viu a lingerie que lhe tinha oferecido em segredo e como esta lhe realçava os contornos do corpo que lhe aumentava o tesão de um desejo expresso de toque. Foi-lhe retirando a pouco e pouco cada peça enquanto a beijava no ombro e depois no umbigo, expondo-lhe o corpo nú à luz intensa e direta do sol.

Ele admirou-a, contrastada contra a imensidão azul, as suas ancas generosas, o peito farto que subia e descia com a respiração acelerada, numa nudez perfeita integrada naquela paisagem indomável. Ela aproximou-se, colando o seu corpo quente ao dele, sentindo o contraste do pénis dele, crescido, rígido e pulsante contra a sua barriga. Os beijos que trocavam souberam a sal e a urgência.

Deitaram-se sobre uma toalha estendida na areia morna. O calor do sol combinava-se com o calor que emanava dos seus corpos. Ele explorou com os seus lábios e com o toque sensível dos seus dedos cada pedaço dela. Já a conhecia e sabia de cor, o que mais apreciava e o que a deixava louca de prazer. As carícias com os dedinhos marotos nos seus lábios inferiores, enquanto lhe beijava o pescoço, o lamber suave dos mamilos enquanto lhe agarrava as nádegas firmes e o sentir da pele num arrepio maior do que o da brisa fria do mar. Arrebataram-se por momentos em beijos húmidos, num frenesim de duas línguas que se saboreavam mutuamente.

Com um desejo crescente, impossível de controlar, ele ajoelhou-se entre as pernas dela, abrindo-as para a imensidão do mar e para os seus próprios olhos. A humidade dela brilhava à luz do dia, um convite carnal impossível de resistir. Baixando o rosto, ele entregou-se a explorar os contornos suaves da cona dela com a língua. O toque rítmico no clitóris, perfeitamente visível na claridade da praia, arrancou-lhe os primeiros gemidos ecoantes, que se misturavam com o clamor das ondas. Ela arqueava as costas, cravando as mãos na areia fina, rendida àquela carícia húmida e persistente sob o céu aberto, até que um espasmo violento a fez tremer por inteiro, celebrando o primeiro orgasmo do dia.

Sem que o transe se quebrasse, ele ergueu-se, exibindo a sua piça completamente erecta, latejando e a escorrer de desejo. Posicionou-se e, com um empurrão firme e contínuo, penetrou-a por completo. O impacto térmico daquela entrada apertada e quente arrancou um grito agudo nela, um som de pura libertação que se perdeu na imensidão da praia.

O ritmo que se seguiu foi selvagem como a paisagem que os rodeava. A cada estocada profunda, os corpos colidiam com força, produzindo o som húmido da paixão carnal que competia com o sussurro do mar. Ele segurava-lhe as ancas com firmeza, levantando-as ligeiramente para que a sua penetração fosse ainda mais funda, sentindo as paredes vaginais dela a apertarem-no a cada investida.

— Fode-me... aqui, onde ninguém nos pode ver... quero que te venhas dentro de mim e me enchas a cona... — pediu ela, com a voz embargada pelo prazer, cruzando as pernas à volta das costas dele para o prender dentro de si.

O sol dourava-lhes a pele suada, e alguns grãos de areia colavam-se aos seus corpos em movimento, aumentando a crueza daquele ato. O prazer era amplificado pelo cenário proibido e pela vastidão do horizonte. A cada empurrão, ele sentia a rigidez do seu pénis ser levada ao limite pela lubrificação abundante dela. O clímax aproximou-se com a força de uma maré cheia. Com investidas rápidas, curtas e profundas, ele descarregou o seu esperma quente no fundo da vagina dela, no mesmo momento em que ela se contraía num segundo orgasmo intenso, prendendo-o firmemente no seu interior.

Ficaram deitados, colados um ao outro, com o suor a secar ao vento marítimo, o leite dele a escorrer lentamente da cona dela e os corações a acalmarem ao ritmo das ondas. Beijaram-se com paixão, olharam-se profundamente até vislumbrar a alma e contemplaram o céu e a linha do horizonte, sabendo que, embora o destino e as realidades das suas vidas os esperassem além daquelas arribas, naquele dia e naquela praia deserta, eles tinham sido tão livres e selvagens como a própria natureza.


quinta-feira, agosto 20, 2026

Sonhos

À noite, quando o mundo se silencia e os meus olhos finalmente se fecham, o universo corrige a sua rota e na liberdade dos meus sonhos, tu és minha. Ali, não existem passados desalinhados, distâncias intransitáveis, ou o peso dos dias que correm sem ti. Caminhamos juntos sob céus inventados, rimos de piadas que nunca contamos acordados e a tua mão encaixa na minha com a certeza absoluta de quem se pertence ao tornar o mundo mais belo. Nesse espaço sem tempo, o toque que me aquece e o beijo que me sacia não é uma busca, é uma constante, um território seguro onde te posso prender num abraço sem medo do amanhecer.

Mas a luz da manhã é um carrasco insensível que insiste em dar nome à tempestade de dor que me preenche e domina. Abro os olhos e a luz rasga a penumbra do quarto, devolvendo-me à solidez implacável dos dias e a verdade desperta comigo, fria e lúcida, onde na realidade, tu és o meu sonho. És aquela imagem bonita que persigo de olhos abertos, a fantasia que ilumina a rotina cinzenta, o impossível que insisto em querer tocar. Tornaste-te na minha utopia, a meta que sei que nunca alcançarei, mas que me faz continuar. Vivo suspenso nesta doce e cruel dualidade de te ter por inteiro na ilusão da noite, e a de passar o dia inteiro a sonhar acordado com o que nunca seremos.

Queria viver no teu sonho e não ter que acordar para a realidade.

terça-feira, agosto 18, 2026

Caminho da vida

Ando em círculos sobre o mesmo pedaço de chão, não por falta de pernas, mas por excesso de caminhos. Olho para o horizonte e vejo duas estradas que se cruzam no centro do meu peito. Uma exige a segurança do cais, a outra clama pela tempestade do mar alto. E eu, suspenso no limiar da escolha, permaneço imóvel.

Uma mente dividida não me leva a lado nenhum, é uma verdade nua, sussurrada pelo vento que passa por mim sem nunca me mover. Ver as duas direções é o mesmo que estar acorrentado ao chão, num pensamento que se bifurca e que cancela o próprio passo. Cada metade de mim puxa com a mesma força para lados opostos, e o resultado dessa física cruel do somatório de todas as forças é a imobilidade absoluta.

Sob o pretexto de procurar a decisão "perfeita", a mente sabota a ação, acumula dados, pesa prós e contras até à exaustão e desenha cenários hipotéticos no futuro. O excesso de planeamento sem execução é apenas uma forma sofisticada de procrastinação de uma mente dividida que consome a energia que deveria ser usada para caminhar, gastando-a na eterna hesitação do ponto de partida.

Para ir a algum lado, é preciso a coragem de perder algo. Escolher um caminho implica, necessariamente, a dor de abandonar o outro. E é o que torna tudo tão penoso, porque o ser humano tem uma aversão natural à perda, queremos o ganho da nova escolha sem abrir mão do conforto da situação actual. Mas o progresso exige uma portagem, a renúncia do que é confortável.

Enquanto não pacificar esta guerra interna, serei apenas um espetador do meu próprio destino, assistindo ao tempo passar enquanto coleciono começos que nunca viraram caminhos, mantendo a crença de que posso manter todas as portas abertas. Quem tenta caminhar por duas estradas ao mesmo tempo acaba por cair numa armadilha e acabará por se rasgar ao meio. A maturidade emocional começa quando aceitamos que decidir é podar os ramos de alternativas para permitir que uma árvore cresça.

A partida não exige certezas absolutas, exige apenas uma vontade inteira. A clareza não precede a ação, é um subproduto da própria ação, num descobrir se a estrada é a correta só depois de darmos os primeiros passos, pois o movimento transforma a paisagem e revela novos horizontes que a imobilidade esconde.

Para unificar uma mente dividida temos de escolher um objectivo principal, eliminando tudo o que seja secundário e transitório. Temos de abandonar o perfecionismo, ao perceber que uma decisão razoável executada hoje é infinitamente superior a uma decisão perfeita que nunca sai do papel. Temos que aceitar o erro como inevitável, e ao o identificar recalcular a rota, pois o erro ensina e o impasse estagna.

Assumir o controlo dos passos que se dão pelo caminho, significa liderança pessoal, onde a mente se alinha num único propósito, a energia fragmentada transforma-se num feixe de luz focado que ilumina e é capaz de romper qualquer bloqueio, para nos levar, finalmente, ao lugar certo.

Cada caminho novo, encerra um capítulo passado.

segunda-feira, agosto 17, 2026

Regresso de férias

Regresso de férias, é sempre uma altura em que o cansaço nos domina. Não um desgaste de trabalho constante, mas um consumo de energia de um sol que mói, caminhadas frequentes e da tentativa de preencher totalmente os espaços de tempo livres com actividades que justifiquem a pausa.

Nestes dias, conheci praias fantásticas, saídas do imaginário de cada um, de águas cristalinas e de areais ainda no estado quase selvagem.

Foi também tempo de viver uma experiência única de uma vida, que nos mostra a dimensão maior da espectacularidade do que é natural, que confirma a presença de um ser que domina e regula a nossa vida. Um eclipse total do sol, vivido nesses 1 minuto e 36 segundos de uma imagem que criou uma impressão na memória que guardarei para a vida. O alinhamento perfeito de uma luar menor, que à distância certa ofusca totalmente um sol maior por breves momentos e dá uma das maiores visões que alguma vez presenciei. E partilhar este momento com os meus filhos e os meus irmãos, foi algo que aumentou esta experiência única.

Deu para tudo. Até para não me desligar completamente das rotinas dessa disponibilidade permanente, dia e noite, em que se transformou a minha vida profissional. A determinado momento parecia que os doentes aguardavam a minha ausência para decidir adoecer. Mas com o à vontade de quem os conhece bem e com uma equipa dedicada e sempre presente, lá se conseguiu levar a bom porto cada uma das situações mais ou menos complexas.

Férias, foi também um tempo de paixão, sem largar essa necessidade de tesão que estupidamente e cada vez mais me domina e partilhar tudo isso com quem está a meu lado, para nos nossos devaneios comuns, libertar-mos essa tensão que se acumula.

Agora, é tempo de voltar às rotinas. Arrumar a casa diariamente, tal camareiro de hotel, cozinhar para bocas famintas de novidades gastronómicas, como chefe michelin e de trabalhar afincadamente para acumular recursos para sonhar com os próximos locais a visitar.

Que não trabuca, não manduca... (e não viaja)


Post Scriptum: não passou despercebido que ninguém comentou, o pedido de roteiro para este blog. Seguirei assim, com aquilo que me define... divagar livremente por assuntos diversos e tão distintos, que pela sua característica, descaracterizam este cantinho.

sexta-feira, julho 31, 2026

Vacaciones

Caríssimos leitores
(parece algo saído da série Bridgerton)

Os autores deste blog vão estar de férias, ou será melhor dizer, numa adaptação à língua dos próximos dias, de vacaciones.
E como será tempo de descanso das rotinas diárias, dará tempo para retornar à escrita regularmente interrompida de outros géneros literários.

Em jeito de sondagem ao público regular, gostaria que comentassem, o que gostariam de ler no regresso... reflexões sobre a existência de vida extraterrestre, contos eróticos apimentados pelos devaneios dos autores, ou dissertações sobre o estado actual de um mundo decadente?

Comentem, expressem-se e na volta, tentarei ir de encontro ao solicitado.

quinta-feira, julho 30, 2026

Indiferença

A indiferença é o inverno do espírito humano. Não fere como o gume de uma lâmina nem queima como o calor do ódio, simplesmente gela, anestesia e apaga.

Ao longo da minha caminhada, fui percebendo que o verdadeiro oposto do amor não é a hostilidade que ruge, mas sim o silêncio vazio de quem olha sem ver e ouve sem escutar. A indiferença é um mal maior da nossa sociedade, porque isola os homens em ilhas invisíveis, convencendo-os de que a dor vizinha pertence a um universo estrangeiro.

No entanto, na arquitetura do afeto não são precisos grandes monumentos, mas basta tão só uma pequena palavra dita no momento da queda, um gesto mínimo que devolve a dignidade, um ombro que partilha o peso do mundo ou uma escuta atenta que valida a existência de quem fala, para fazer a diferença. Quando escolhemos quebrar o vidro da indiferença, descobrimos o bem em ser para o outro. Estender a mão é um ato desprovido de qualquer custo financeiro ou esforço gigantesco, mas carrega o poder tectónico de reescrever o dia de alguém.

Há, contudo, um mistério belo e circular nessa entrega. Ao iluminarmos a penumbra alheia, uma claridade inesperada invade a nossa própria alma, o conforto que oferecemos regressa a nós multiplicado, instalando no peito um bem-estar profundo e pacificador. Descobre-se, nesse mesmo instante, um certo egoísmo no altruísmo, no bem que fazemos ao outro salvamo-nos a nós mesmos da solidão.

Cuidar do próximo é uma forma sublime e legítima de cuidar de nós proprios.

quarta-feira, julho 29, 2026

Respeito pela honestidade

As palavras que sempre guiaram os meus passos, tem-se expressado ultimamente com uma força renovada. Por isso, não será de estranhar, como mesmo neste cantinho onde os pseudónimos substituem o seu criador, eu me mostre de uma transparência que pode causar algum espanto e estranheza.

Com o tempo e a aprendizagem, aprendi que o respeito não se impõe, conquista-se pelo exemplo, e nenhum exemplo educa mais do que a forma como tratamos os outros. Com esta convicção toda a minha vida me pautei por ser uma pessoa honesta e nas relações emocionais, sempre escolhi a clareza como bússola, mesmo sabendo que, por vezes, essa nudez da alma me traria feridas e prejuízos num mundo habituado a meias verdades ou enganos. Sempre acreditei que a verdade, ainda que inicialmente mais dolorosa, acaba sempre por trazer uma serenidade e paz indeléveis.

Durante muito tempo, carreguei o silêncio de coisas guardadas, que não revelava para não parecer um ser diferente, um tolinho, e percebi que quando se foge à verdade, tudo o que fica escondido gera angústia, uma pressão interior que nos consome os dias e nos rouba o sono. Ocultar é como construir uma prisão de tijolos invisíveis, onde o ar se torna rarefeito.

Mas agora, a verdade revela-se, sem reservas. No instante em que as palavras honestas deixam o meu peito e ganham o mundo, sinto um desmoronamento daquilo que é falso e vejo aparecer a fundação imediata de uma paz interior inabalável. Olhar o outro nos olhos e entregar-lhe a realidade nua não é um ato de crueza, é antes, uma das maiores expressões de respeito que podemos oferecer, pois significa considerar o outro digno da verdade, recusando o insulto da ilusão. A clareza liberta quem fala e dignifica quem escuta. Na mansidão desta nova aurora, descubro que a honestidade não nos isola, ela limpa o caminho para que os laços reais se tornem, finalmente, eternos.