Não é muito frequente abordar aqui assuntos que revelam as minhas convicções ou crenças. Mas pontualmente lá vou abordando timidamente estes assuntos, com um ou outro post, misturando nesta amalgama que é o blog, o profano e o sagrado. Também será assim na vida do ser individual que é cada um de nós.
Ultimamente tem-se tornado mais notório, também fruto da maior exposição mediática e de conteúdos partilhados, grupos a tentar justificar ou apregoar serem os verdadeiros defensores da fé, numa forma mais ou menos ritualizada e padronizada de ser a verdade. E questiono-me frequentemente, onde está a verdadeira verdade? Onde reside, na deturpação corrupta da carne, o que é verdadeiro do espírito? Podia discutir um caso qualquer em particular, mas este problema é extensível a tantos casos em geral. As pessoas, no seu seguidismo cego e de quem repousa numa ilusória paz de mente de quem vive sem questionar seja o que for, acabam por assumir uma postura agressiva, autoritária e extemista de vivência social, de quem se assume como defensor verdadeiro de uma causa, ideia ou dogma. E extende-se a todas as lateralidades da vida em sociedade, como quem diz da direita à esquerda, ou para não ofender os mais "ofendíveis" da esquerda à direita, como se a primazia da razão residisse também na ordenação verbal das palavras.
A vida do mundo assume esse ambiente cíclico de rotação natural do confronto eterno entre razão e paixão, onde o racional é questionado, pela dimensão absorvente da paixão, do que é moldado pelo que sentimos ser mais forte. Entre um wookismo e um conservadorismo exagerados, que ganham cada vez mais seguidores, como autênticos soldados que se perfilados nas fileiras de um conflito anunciado, reside a verdade oculta e que deve ser objectivo de busca. Uma busca constante de aperfeiçoamento pessoal e não da resignação de quem se cansa de procurar e assume só seguir o que é enfiado pelo grupo. E esta demanda aplica-se a todo o universo onde cada um de nós está inserido, político, laboral, social, relacional e espiritual (do que vai além do estritamente religioso).
E para não me alongar e tornar tudo de novo muito confuso, direcciono a reflexão de hoje para essa dimensão da religiosidade em que eu acredito. E esta é a minha verdade, que aos olhos de outros pode ser sujeita a uma qualquer observação de conteúdo semelhante à reflexão de hoje e entendida como errada.
Acredito que Deus se fez Homem, simples, que nasceu Judeu submisso e não Romano dominador, que escolheu andar no meio dos pobres e pecadores e não no meio dos fariseus detentores de poder e riqueza, que pregou tanto em sinagogas como no meio do campo ou no mar, com palavras simples e acessíveis e não com rituais de linguagem complexa. E foram os homens de uma dimensão reduzida que na intenção de se assumirem grandiosos, transformaram o que era de uma simplicidade deslumbrante numa confusão rebuscada de opulência insignificante.
