sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Politicamente (In)Correcto

Encontramo-nos em tempos de vida social, onde impera o politicamente correcto. Onde qualquer palavra ou gesto ofende.
Aqui vai algo encontrado algures e copiado.
Ainda que possa passar uma imagem preconceituosa de mim. Mas torna-se viciosamente irritante, tanta correcção.


"Antigamete na escola e na vida

Havia os ... ‘burros’ ... ‘gordos’ ... ‘caixa de óculos’ ... ‘sem sal’ ... ‘pretos’ ... ‘chineses’ ... ‘indianos’ ... ‘artolas’ ... ‘maricas’ ... etc.

Os ‘burros’ chumbavam! 

Não se tornavam doutores como hoje em dia.

Mas a fasquia era definida pelo marrão da turma!

Não era nivelada por baixo como agora. 

Somos todos iguais ... diz-se!!

Antes não parecia que fossemos!

Mas o ‘gordo’ também tinha notas brutais e ninguém sabia como! 

Talvez porque não jogasse à bola!

O ‘caixa de óculos’ tinha um sentido de humor inigualável mas não fazia corridas pois tinha medo de cair!

O ‘preto’ jogava à bola como ninguém e fazia umas fintas inimagináveis! Tinha um físico fora do comum!

O ‘chinês’ tinha vindo de outra escola, sabia à brava inglês, e tinha histórias que não lembravam a ninguém.

Cada um tinha um «defeito», até uma alcunha!

Mas tinha ou lutava por ter também outras qualidades.

Hoje não...!!

Dizem que somos todos iguais. 

Agora, tudo ou é bullying ... ou racismo ... ou xenofobia ... ou opressão ... ou assédio ... ou violência ... ou o caralho...! 

Antigamente, quando se era mesmo racista, levava-se um "chapadão" na tromba e aprendia-se logo que o ‘preto’ era como todos os outros, um de nós!

Apenas tinha cor diferente. 

E não era bullying! Era ‘aprendizagem on job’. 

Aprender assim era duro pois dói e não se esquece mais.

E às vezes em casa com os pais também se ‘aprendia’.

O menino ou menina ‘sem sal’ passava despercebido(a) e sentia-se sozinho(a). 

Ter uma alcunha diferente era fixe. 

A diferença era vista com bons olhos.

E aprendia-se uma coisa importante, rirmos de nós próprios. 

E não "chorarmos" porque alguém nos chamou isto ou aquilo. 

Assumia-se a gordura ... o ‘esquelético’ ... a ‘caixa de óculos’... e tudo o mais que viesse.

Mas quando não se estava bem, quando não se gostava da alcunha, fazia-se uma coisa importante. Mudava-se, lutava-se por acabar com ela.

Não se culpava os outros nem a sociedade. 

Não se faziam ‘queixinhas’!

E falhava-se ... Muitas vezes! 

Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte.

E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.

Agora não. Todos somos iguais.

Todos somos bons ... todos merecemos ... todos temos as mesmas oportunidades ... todos devemos até ganhar o mesmo ... todos somos vítimas ... todos somos oprimidos ... e todos somos parvos … porque aceitamos este ambiente do ‘politicamente correcto’ sem dizer nada… e até devemos dizer que somos ‘normais’.


Segundo o novo paradigma social, devem ter muito cuidado comigo, porque:

- Sou velho ou quase... tenho mais de 45 anos... e quando chegar à reforma, se chegar a tê-la, o que vai fazer de mim um tolo... improdutivo... que gasta estupidamente os recursos do Estado;

- Nasci branco, o que me torna racista;

- Não voto na esquerda radical, o que me torna fascista;

- Sou hetero, o que me torna um homofóbico;

- Possuo casa própria, o que me torna um proprietário rico (ou talvez mesmo um latifundiário);

- Gosto de comer borrego... o que me torna um abusador de animais;

- Sou cristão e, embora pouco praticante, sou um infiel aos olhos de milhões de muçulmanos;

- Não concordo com tudo o que o Governo faz, o que me torna um reaccionário;

- Gosto de ver mulheres bonitas bem vestidas (ou despidas), ou super decotadas, o que me torna um tipo capaz de assediar;

- Valorizo a minha identidade portuguesa e a minha cultura europeia e ocidental, o que me torna um xenófobo;

- Gostaria de viver em segurança e ver os infractores na prisão, o que me torna um desrespeitador dos direitos "fundamentais" protegidos;

- Conduzo um carro a diesel, o que me torna um poluidor, contribuindo para o aumento de CO2;

Apesar de estes defeitos todos, acho que ainda sou feliz… era mais antes… mas mesmo assim... considero-me um ‘gajo normal’!!"

Ser sociedade é saber reconhecer as diferenças e conviver com elas, não eliminá-las

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Potencial

Não sei em que acreditas. Às vezes também não sei em que acredito.
Mas, quantas vezes temos essa sensação, de que tudo acontece na altura e no momento certo.

Não há qualquer novidade aqui. No início tudo parece extremamente romântico. Uma crescente ânsia em estar, em ser memória constante nos pensamentos de outra pessoa.
Depois retorna o normal e rotineiro. 
Por isso é necessário renovar, reinventar, num contínuo diálogo sobre qual a nossa vontade maior.
Diálogo e Verdade. Sem medos ou pudores.

Sou para ti uma lembrança, uma recordação de que tens valor. De que mereces ser feliz, apreciada, amada, querida pelo que és interiormente. 
Ter a noção de que é um privilégio ter-te ao lado. Ter e ser pertença de alguém com a qual se construíu uma vida em conjunto, que deve reconhecer o que és, como és, o potencial enorme que tens.
É lembrar-te sempre do amor que deves ter por ti em primeiro lugar, para o que o possas partilhar sem medida com os teus. 

Serei só isso. Um catalisador do reconhecimento que deves rever em ti.
Uma face alegre, que faz do humor um escudo e uma arma, para fazer sorrir, rir à gargalhada que seja, para que nesse momento esqueças o que a vida pode trazer de menos bom e enfrentares o futuro com optimismo.


"Posso nunca vir a sentir o teu toque, mas continuarei a beijar-te nos meus sonhos mais secretos"

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Até onde nos permitiríamos ir?

São tantas as perguntas, tantas as dúvidas que surgem na minha mente... talvez seja por esse motivo. A mente, mente... inventa constantemente cenários impossíveis, inverosímeis, pouco realistas.

Até onde nos permitiríamos ir? Até onde poderia ir, uma qualquer loucura, onde nos entregássemos mutuamente ao desejo, a essa luxúria, esquecendo quase por completo a vida que nos rodeia. Seria possível?

Mas a insegurança e a cautela, diz-me que é tudo fruto da minha cabeça, nessa ilusão quase psicótica em que pareço viver permanentemente. E pelo dever de respeito, a ti, que tens uma vida própria, uma família a que ainda pertences. E pelo respeito aos meus, inocentes crianças, que ignoram o estado miserável em que vivo em união. Negligenciado em afeto e atenção, em modo automático de dona de casa, gestor de finanças e taxista.

...a vida fosse diferente?

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Crise de meia-idade

Deixara (de novo) de expor aqui as minhas inquietudes. Tinha retomado o diálogo mútuo que elimina a necessidade de me auto confrontar com questões interiores que me atormentam, que criam angústia e dilema. Mas o silêncio em que a vida de casal, que tantas vezes se sobrepõe ao ruído do dia-a-dia, fizeram-me regressar ao cantinho, confuso e confabulante do meu eu.


Tenho refletido sobre a meia-idade onde, sem qualquer dúvida me encontro. Esse período de transição, que nos confronta com a finitude da vida, o envelhecimento físico e psicológico, com a necessidade de reavaliação e revalidação constante profissional e dos relacionamentos, tal como uma nova adolescência, só que na vida adulta.

E se de todas as mudanças, que causam, por um lado, insatisfação, tristeza, arrependimento, por outro, comportamentos joviais, expansivos, é o narcisismo que gera essa luta ética e moral interior que confunde e baralha.

Essa vontade estranha de nos sentirmos aceites, bajulados, apreciados, mesmo a nível físico, como se lutássemos contra o efeito irreversível do tempo no rosto e no corpo. Como sentíssemos a vontade de seduzir e nos sentirmos seduzidos, recusando ficar de parte, ao lado de uma vida efemeramente alegre.

E surge o conflito, com os valores de correção, respeito, lealdade e até dignidade própria que acaba por se perder nessa tentativa do constante "look at me".

E é nessa metanoia, que deve imperar o controlo de emoções, que parecem, em relação a valores e motivos maiores, banais, superficiais e fugazes.

Não pode haver felicidade, se com o nosso comportamento estamos a privar a felicidade de outros. A liberdade que julgamos ter em nós de mudar, não pode criar dor nas pessoas que são alvo de um qualquer devaneio pessoal de sedução, bem-estar ou aceitação.



domingo, janeiro 26, 2025

Segura a minha mão

Não me tentes consertar. Não carregues a minha dor por mim, nem afastes as sombras que me envolvem. Senta-te apenas ao meu lado enquanto enfrento as tempestades que rugem dentro de mim. Sê a mão firme que posso segurar quando sentir que me estou a perder.

As minhas batalhas são minhas. Este fardo é meu. Mas a tua presença lembra-me que, mesmo em pedaços, ainda sou digno de amor. Não precisas ser a minha salvadora; basta ser minha companheira. Quando a noite parecer infinita, segura a minha mão até que o amanhecer chegue, ajudando-me a lembrar da força que ainda existe em mim.

O teu apoio silencioso é o maior presente que me poderias dar. Não é o amor que me salva, mas o amor que me fortalece. É o que me ajuda a lembrar de quem eu sou, mesmo quando tudo em mim parece esquecido.

Quando eu me perder, estarás aqui? Não para me salvar, mas para caminhar ao meu lado até que eu encontre o caminho de volta.


“Nos nossos momentos mais sombrios, não precisamos de soluções, nem de conselhos. O que realmente desejamos é a conexão humana: uma presença silenciosa, um toque que fala mais do que palavras. São esses pequenos gestos que nos mantêm à tona quando a vida parece nos esmagar.”
Ernest Hemingway

sábado, janeiro 25, 2025

Difícil dizer adeus "de novo"

A vida é como um grande globo. Se caminharmos continuamente em frente, acabaremos por retornar sempre ao mesmo lugar, num reviver continuado de experiências passadas, ainda que nos pareça um local estranho e desconhecido.

Ao reler uma antiga publicação, onde refletia sobre a perda e a necessidade de dizer adeus ao passado, revi um comentário, que podia por si só ser uma das minha publicações.
Obrigado Shara, por onde quer que andes neste momento, pela tua reflexão.

"O meu entusiasmo não acabou e todos os dias passo pelos blogs dos amigos para saber um bocadinho mais deles. Não és excepção. Admito que me é estranho entender-te como uma pessoa com sentimentos tão marcados. Não, não tou a dizer que és "uma gajo sem sentimentos" :) O que axei dificil era tu (e mais algumas pessoas q conheço), que és sempre tão certinho, também deixares que o coração suplante a razão. Pois é querido Sebastião, bem vindo ao clube... É mt dificil dizer adeus, ás vezes torna-se quase impossivel abdicarmos de nós para respeitar a outra pessoa. E dói. Dói cada dia um bocadinho mais e um bocadinho menos. Dizem que o tempo cura mas se o tempo cura, porque demora tanto tempo a curar? Anyway, tb dizem q sofrer faz bem á alma e talvez faça. Pq só a sofrer se entende que o que nao nos estava reservado nunca nos pertencerá. Axo que nesse momento se deve atingir a tal aceitação, mas lá que custa, custa! Beijinhuz"


“Ninguém é suficientemente perfeito que não possa aprender com o outro; e ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.”

São Francisco de Assis


quarta-feira, dezembro 25, 2024

De luto

Faleceu recentemente um dos meus tios. Um dos mais próximos e queridos da nossa família nuclear. O que me fez refletir sobre o fim. A finitude de tudo. O fim da vida, o fim de relacionamentos, o fim de fases de vida que agarramos com força como à própria vida e que por vezes, morrem de forma precoce, contrariando a ideia de imortalidade do projecto primordial.


O fim, como o luto que daí advém, torna-se um processo íntimo de introspecção em que nos revemos vezes sem conta a reviver o que poderíamos ter feito de forma diferente, para conservar a "vida" que naquele momento termina.

Que fizemos para impedir o trágico desfecho? Tentámos corrigir-nos, adaptarmo-nos à mudança inevitável e em marcha, ou tentámos acelerar o processo de morte, eutanasiando precocemente o fim?


E é culpa que sentimos. Remorso de não ter suspendido ou revertido o processo de degradação e morte. 

Ou alívio por ter cessado finalmente todo esse sofrimento que num fim mais ou menos anunciado vínhamos a sentir.

E no fim a solidão que nos espera, pela perda contínua e recorrente de tudo o que vivemos e deixámos morrer.


A morte é a dura realidade.