Na minha vida profissional já vivi algumas mudanças. Na profissão que tenho, ainda é pouco frequente a mudança. O trocar de local de trabalho, num certo hábito de se permanecer onde se fez formação e aí continuar. Sem lutas decorrentes da mudança, sem aventurarismos, e numa postura de resignação e conformação no adquirido.
Ainda que mais recentemente, já vai havendo quem troque a confusão segura de um serviço público, pela indefinição tranquila de um privado. Mas como, gosto de ser diferente e talvez mais autónomo nas decisões laborais, já conheci, ao longo de 20 anos de profissão médica, tanto o público em vários locais, como o privado, onde permaneci 8 anos.E cheguei a uma conclusão. Não há locais perfeitos de trabalho. Todos têm os seus pontos positivos, que nos fazem querer permanecer, como os negativos que nos fazem querer ter ou ser mudança. Mas com a certeza que no momento de uma troca de locais, se vai com um espírito aberto, de receptividade que anima, mas que com o tempo, com os obstáculos criados, sobretudo pelos agentes da inércia, nada habituados a ondas transformadoras, virá a rotina do desânimo.
Com a convivência no reconhecimento dos vários trabalhos, lá vamos criando as balizas e as linhas vermelhas, de forma a sentirmos pertença a um local e a uma tolerância saudável que nos faz seguir, evitando o confronto ao menor dos sinais, sem nunca nos conformar-mos de todo às rotinas, ao "deixa andar" que entorpece, mantendo alerta a vontade e o desígnio próprio.
E por isso, fez já mais de um ano, que voltei a um local onde vivi momentos bons e outros nada bons, com uma certeza de que, sou eu, na minha autonomia, que defino a liberdade de exercer a minha profissão, numa forma muito própria de entrega.
