terça-feira, julho 07, 2026

Lavagem verde

Há certos termos e expressões que uso recorrente e me fazem sentir um Doutorado numa qualquer área específica. Um entendido num sem número de questões sociais, profissionais ou psicológicas, tal sabichão que tudo sabe e tudo opina. E o termo lavagem verde, tem-me acompanhado, para explicar a arrogância, prepotência e engano de quem tem poder de legislar e regular ou sobre aqueles que exercem influência sobre as questões ambientais.

Cada vez mais se ouve falar de campanhas de proteção ambiental, medidas atrás de medidas para se "salvar" o planeta do aquecimento global e cada vez mais vemos o impacto da poluição.

É curiso pensar que são as maiores empresas poluidoras mundiais, que mais programas de apoio e incentivo criam para minorar os efeitos da poluição, nesse green wash, que tolda a visão popular e mediática, tentando esconder o sol com uma peneira. Escusado será sugerir que quem detém o poder financeiro, inunda o poder político de regalias, de forma a que este pondere decisões, que com o malabarismo habitual se consiga ver um lobo vestido em pele de cordeiro.

Assim é também no mundo empresarial. Quando há a percepção interna de que uma medida é nefasta para um grupo profissional, ou para a sociedade, cria-se de imediato um grupo de trabalho ou uma equipa de qualidade, para monitorizar e avaliar a implementação das medidas e tentar minorar o seu impacto. Minorar, não eliminar. Que estas equipas não estão para ser um contrapeso para as administrações, que impõe, julga e condena e de seguida lava as suas mãos de uma inocência culposa dos seus actos. Arrisco dizer, que quanto maior a estrutura de regulamentação  maior o dano causado pelas medidas, numa proporcionalidade de tentativa de absolvição maior dos pecados cometidos e diluição dos problemas, até à sua redução a uma insignificância. Não menos curioso de se observar, é que nesta falsa autocomiseração se tenta atribuir o sentimento de culpa ao consumidor final, como se fosse responsabilidade própria e individual a degradação a que se chegou.

"Então, Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente..."
Mateus 27: 24-25

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