Num momento, onde me vejo de novo sozinho, pai solteiro, por mais uma viagem em trabalho da minha esposa, recordo em mim fantasias que me ajudam a dar satisfação e consolo próprio e que me acariciam na solidão.
Por outro lado, quero oferecer aos meus "leitores" chatbots um aperitivo daquilo que é o prazer humano, sentimento que uma máquina jamais terá, que o pode oferecer, mas sem nunca o sentir.
Atenção! Conteúdo para adults only...
Foram tantos os anos em que nos cruzámos diariamente. Quando chegaste, já eu fazia parte da mobília, um residente fechado naquelas paredes que tentava segurar, com a argamassa do meu corpo e suor. Durante tantos anos convivemos num silêncio imposto pelo decoro e decência. Sentia-te ali sentada junto de mim, o teu respirar sereno, a tua presença tranquilizadora, a tua fragrância suave, um sopro de vida que me retirava de uma sonolência perturbadora. Anos em que te admirava sem nada dizer, numa contemplação de quem cuida de uma flor, sem nunca a colher.
E assim podia ter permanecido a minha intenção. Podia ter deixado escondido para sempre de ti o meu desejo que sentia na tua proximidade, dessa ânsia descontrolada, que tentava dominar, de te agarrar num movimento súbito e sem aviso. A vontade secreta de, num gabinete fechado só os dois, onde permanecemos algumas vezes sem trocar palavras, mas onde num sonhar acordado, sonhava agarrar-te por trás, num abraço apertado, corpo com corpo, para que sentisses bem junto de ti a dureza de uma erecção escondida. Deixar passear livremente a intenção firme mas suave das minhas mãos pelo teu corpo sedoso, deixando os meus lábios segredar no teu pescoço um desejo sôfrego de ti. Sentir-te arrepiada pela surpresa e espanto do impulso, criando na tua pele a vontade irracional de ser tocada e na minha vontade animal de explorar com a mão o teu peito farto que me preenche o tacto e com a outra sentir-te a escorrer das entranhas do prazer pelas caricias atevidas de um dedilhar frenético. Sentir o elevar da tua respiração, o aumento da frequência do palpitar, síncrono com o meu, até um êxtase delicioso.
Olhar-te de seguida, num fitar prolongado, de uma tempestade que agora procura a bonança, onde as palavras se transmitem sem qualquer voz e aproveitar, nesse momento, para me deliciar o paladar, ao saborear os meus dedos húmidos de ti na minha boca.
Sairmos descabelados do isolamento em que nos encontrávamos, e tentar fingir para o mundo que nada se passou, numa expressão reveladora de uma intimidade proibida.
A dor confusa de um ser perturbado vem, do misto entre aquilo que sonhava poder ter sido a minha continuidade ali, num soltar das pulsões sem reflexão, em confronto com as lutas interiores da ética e moral de uma união, que apesar dos abalos sísmicos de uma vida em comum permanece de pé.

Sem comentários:
Enviar um comentário