Sinto-me tantas vezes na posição confortável de ser conselheiro, ouvinte ou suporte daqueles que vêem em mim um bom ouvinte, ponderado e seguro.
Mas intimamente, sei que me tornei num perito de um clássico "faz o que digo, não o que faço".
Transmito incentivo, quando pessoalmente me apetece baixar os braços e desistir. Dou motivação, quando pessoalmente me sinto esgotado pelas amarguras diárias.
Sei que palavras acrescentam pouco para uma paz interior necessária em cada um. E sei que quem observa de fora, tal expectador de vida alheia, não compreende a complexidade total das circunstâncias pessoais e familiares que são suporte de qualquer decisão.
Tento interiorizar em mim, o que apregoo, mas quando o reflexo que vejo é do inseguro interior, escondido atrás da máscara de um ser seguro, reconheço que mudar é tarefa bem mais difícil, onde as meras intenções não ganham força suficiente para ter peso nas acções diárias.

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