Nos últimos dias tenho manifestado aqui o meu lado mais atrevido, numa desinibição e exposição pouco habitual. Como se as pulsões interiores de desejos que se reprimem na necessidade de uma aparência social, ganhassem uma força maior de expressão através da escrita. Estarei a iniciar um surto psicótico ou a ficar com demência, dessa frontotemporal, que liberta o juízo das amarras do criticável? Mas o que não bate certo é essa memória infinita, que não me larga, mesmo nos pormenores que guardo e que me desgastam nos debates internos de teimar em entender mensagens subliminares onde provavelmente não existe qualquer conteúdo real.
E tu, leitor assíduo das linhas tortas que aqui vagueiam em jeito de escrita linear, aprecias o conteúdo mais livre e desinibido, ou o filtro poético dos debates de uma consciência perturbada?
As entradas neste blog são em grande parte de servidores norte-americanos. Será que o Sr Trump me lê? Explicaria muita coisa. Vamos ver se ele me dá os conselhos que demando.
🫣

3 comentários:
O que faço quando estou sozinho...
Nos momentos de solidão total, recolho-me numa intimidade muito própria de me acariciar. Agarro com uma força de toque suave a minha piça e masturbo-me com o pensamento a viajar pelas imagens de uma sedução arrebatadora de ti.
Às vezes construo cenários de uma ilusão deliciosa, que me fazem vir, após os quais vem uma estranha serenidade.
Conteúdo para adults only...
Há muito que tinham prometido um momento a sós, longe da vida diária que os adormecia.
O ar no quarto do hotel parecia densificar-se a cada hora que passava. Do lado de fora da janela, a chuva desenhava sulcos lentos, abafando o ruído distante do mundo. Ali dentro, durante dois dias inteiros, o tempo ficara suspenso, reduzido à presença crua daqueles dois corpos que haviam fugido às amarras da rotina, às obrigações dos respetivos casamentos e à monotonia sufocante dos corredores do hospital.
Ela estava deitada de lado, a pele sedosa refletindo a luz baça do entardecer. Ele observava-a em silêncio, recordando o primeiro dia em que a vira na enfermaria, a forma como a presença dela, de peito cheio e ancas definidas, o retirara de uma sonolência profunda e ativara todos os seus sentidos, deixando-o desarmado e a lutar contra uma ereção hirta que mal conseguia disfarçar.
— No que estás a pensar? — perguntou ela, a voz velada pelo cansaço bom da entrega, acompanhada pelo traçar lento dos seus dedos no peito escavado dele.
Ele suspirou, puxando-a um pouco mais para si, sentindo o calor húmido e o aroma da pele dela misturarem-se com o seu próprio suor.
— Penso em como tudo isto começou... Naqueles dias em que fingíamos indiferença no hospital, trocando apenas o formalismo frio de colegas, enquanto por dentro o meu corpo explodia de tesão só de te ver passar. Em como voltava para casa e me acariciava na intimidade da minha cama, imaginando-te a escorrer por mim.
Ela sorriu com uma ponta de provocação nos lábios carmesim, lembrando-se da vontade louca com que, mais tarde, se deixavam levar nas escadarias desertas e nos gabinetes trancados. Mas logo a expressão do seu rosto se ensombrou com uma nuvem de dúvida.
— E não sentes medo? — sussurrou ela, fixando os olhos nos dele com uma gravidade súbita. — Não sentes o peso de estarmos aqui a construir esta bolha, sabendo que lá fora há vidas inteiras que dependem de nós? O meu marido... a tua mulher e os teus filhos, a tua rotina... Esta sensação de que estamos a cruzar uma linha sem retorno.
— O perigo e o sabor clandestino do que está trancado no escuro só tornam este desejo mais avassalador. É uma força que me puxa para ti e que foge a qualquer lógica. Mas mentiria se dissesse que não me pergunto o que será de nós quando esta porta se abrir.
— Tenho medo de me perder neste desejo, de esquecer quem sou fora deste quarto — confessou ela, a voz a tremer ligeiramente. — Por vezes sinto uma culpa devoradora por achar tudo disto tão terrivelmente errado e, ao mesmo tempo, a coisa mais deliciosa que já vivi.
Ele não respondeu com palavras. Ajoelhou-se devagar entre as coxas dela, segurando-lhe as ancas com firmeza e delicadeza. Baixou o rosto até à sua cona, sentindo o calor e a humidade abundante que da pele dela emanavam. Com a sensibilidade da língua, começou a acariciar-lhe o clitóris num toque ritmado e faminto, arrancando-lhe um suspiro agudo que logo se transformou num gemido abafado.
— Olha para mim... — pediu ele, erguendo o olhar por um instante. — Quero que sintas como o meu corpo reclama o teu, sem filtros e sem pudor.
Ela arqueou as costas, cravando os dedos nos lençóis e depois nos ombros dele, entregando-se àquela onda que a percorria e a fazia estremecer. A língua dele trabalhava com precisão até a fazer saborear na plenitude um orgasmo violento e descontrolado que a fez contorcer-se na cama.
Sem romper o transe, ele ergueu-se, mostrando a rigidez pétrea e quente da sua piça erecta, e posicionou-se na entrada dela. Numa estocada contínua e profunda, penetrou-a até ao fundo da vagina, ouvindo-a soltar um longo choro de prazer. O choque térmico dos dois corpos a colidirem repetidamente preencheu o quarto com o som cadenciado da paixão carnal.
— Sentes como estou tão duro dentro de ti? — murmurou ele contra o pescoço dela, ao mesmo tempo que desferia investidas firmes.
— Sinto... fode-me assim, preenche-me toda... — pediu ela, envolvendo-lhe a cintura com as pernas para o acolher ainda mais fundo. — Mas diz-me... quando a segunda-feira chegar e voltarmos ao hospital, o que sobra disto? Somos só dois amantes a queimar no fogo do desejo ou há algo mais que nos une?
Ele abrandou por um segundo o ritmo, colando a sua fronte à dela, olhando-a no fundo dos olhos enquanto continuava a pulsar no interior dela.
— É uma união carnal que se tornou espiritual, mas que carrega a dor do impossível. Sei que pertenço à tua vida apenas num pedaço de tempo roubado, mas neste momento, enquanto estou dentro de ti, não existe passado nem futuro. Existe apenas esta verdade.
O ritmo acelerou de novo, cru e implacável. A incerteza do amanhã fundiu-se com o êxtase do presente, levando-os a ambos a um clímax rítmico e conjunto, onde ele descarregou todo o seu esperma com fulgor no fundo dela, enquanto ela se contraía em espasmos à volta do seu pénis.
Ficaram aninhados no silêncio que se seguiu, com as respirações a desacelerar em sintonia e as mãos entrelaçadas. As dúvidas sobre o futuro, de um afastamento inesperado dele que mais tarde viria a mudar o rumo das suas vidas, o papel enigmático e compreensivo da mulher dele e a inevitável resignação com que cada um aceitaria o seu destino, ainda não os alcançara. Passaram muito tempo em conversas longas, a conhecer cada pedaço de cada um, as suas inquietações, as suas dúvidas, interrompidas por momentos de descoberta física, onde se exploraram até não parecer haver limites de pudor sexual e intimidade.
Naquele pedaço de tempo suspenso num quarto de hotel, existia apenas a intensidade de dois seres libertos do mundo.
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