Ocasionalmente, o calendário no hospital apresenta dias como o de hoje, com períodos longos, compostos por consecutivas horas de permanência no posto de trabalho, nos quais o resultado prático das ações é reduzido. Esta situação atual reproduz em muito as sensações experimentadas em anos anteriores, vividos em locais inteiramente distintos, por onde já passei. No passado, tal como no presente, a perceção de não ter qualquer utilidade prática e me sentir inútil torna-se recorrente.
Esta ausência de produtividade não tem origem numa falta de competência técnica para executar as tarefas, nem resulta de uma organização deficiente do tempo disponível. A causa reside exclusivamente na natureza da função que me está determinada, manter uma presença vigilante e aguardar uma necessidade potencial que pode não ocorrer.
Uma vez que não possuo a inclinação pessoal para inventar ocupações artificiais ou procurar tarefas fora do meu âmbito, decido ocupar o tempo vago com a atividade em que demonstro maior eficácia. Entrego-me ao sono em períodos curtos ao longo do dia, pequenas sestas, que se vão acumulando até a uma exaustão de me esgotar o sono por completo. Estes momentos de repouso cumprem a função exata de restabelecer a minha energia biológica e a minha estabilidade psicológica.
Longe vão os tempos, em que os dias e as noites pareciam ser de um caos difícil de controlar, fosse pela insegurança da juventude, ou pela má fortuna que me acompanhava. Mas desde que escolhi um novo padroeiro, tudo mudou.

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