À primeira vista, não parecia uma pessoa que tivesse muitos problemas. Aparentemente segura de si, com sucesso na vida profissional e pessoal, mas que me confessou ter ocasionalmente, aquilo que enterpretei como ataques de pânico. Em certas ocasiões, tinha fobia de se encontrar sozinha no meio da multidão, ou em outras ocasiões fobia de estar sozinha... Tinha inclusivamente consultado alguns médicos, desde clínicos gerais até psiquiatras. E se não soubesse como isto funcionava ficaria surpreendido que o tratamento aplicado era somente um punhado de fármacos, que acabavam quase sempre por sortir um efeito mínimo.
Na minha ingenuidade, perante um problema que parecia condicionar muito a actividade desta pessoa, optei por uma espécie de psicoterapia, em que tentámos encontrar situações que garantissem "segurança" durante as crises e proporcionar momentos de introspecção, em que o sentir da respiração oferecesse um sentimento de controlo próprio. Acho que é no que baseia o Yôga.
Para ser sincero, eu próprio exercito um pouco desta última "técnica", para me concentrar. E se soubesse que me tornaria tão bom ouvinte teria optado pelo sacerdócio, o outro, o verdadeiro, não o da medicina! O mal é gostar tanto de mulheres, que interferiria de certo com a profissão...

As pessoas têm necessidade urgente de serem ouvidas.