Porque é que nos é permitido vislumbrar um pedaço de uma vida plena, feliz, para no momento a seguir, tudo se desvanecer nesse nevoeiro cerrado de um futuro que aparentando risonho, se torna num pesadelo de solidão e angústia?
Porque é que a cada momento nos deparamos com momentos que deitam por terra todas as nossas ambições, aspirações, paixões?
Porque é que nos tornamos prisioneiros de nós próprios, com medo de perder o pouco que temos como garantido, sacrificando tantas vezes o muito que nos poderia ser dado?
Pela estupidez humana do qual todos, ou quase todos, padecemos. Perante a pequena luz que nos é mostrada, acabamos por permanecer nas trevas da nossa pequenez e de uma segurança inexistente, com receio de ficarmos deslumbrados pela luminosidade de uma vida preenchida.
Não há forma de não sofrer e de não fazer sofrer. É ciência pura, factos irrefutáveis, incapazes de serem contrariados. Para cada acção, há invariavelmente uma reacção. E essa reacção terá impacto de volta ou sobre um outro objecto, contrariando a inércia da vida. Tornamo-nos incapazes de tomar decisões racionais, ou mesmo irracionais, pelo medo de sofrer e fazer sofrer ainda mais, sobretudo quem é inocente, apanhado que é no fogo cruzado das nossas acções e suas consequências.
Desculpa se te faço sofrer. Não era minha intenção. Só queria mostrar-te a grandeza da luz que existe em ti, capaz de iluminar a vida dos outros. Capaz de fazer renascer um desejo de vida maior, melhor, do que aquela que no sofrimento escolhemos para nós, nesse masoquismo pouco saudável que acabámos por abraçar. E nesse processo, deixei de saber quem sou e porque me tornei nesse ser humano repugnante, que já não consigo identificar como parte de mim.
O que há a perder? Nada. Tudo...
Sem comentários:
Enviar um comentário