segunda-feira, novembro 25, 2024

Caravela

 Quem está aí? Qual das múltiplas personalidades está hoje aqui a falar, para o mundo desconhecido de leitores, ou quem sabe, só para mim mesmo?

Nos últimos dias, reencontrei-me de novo aqui. Neste cantinho onde no passado de forma mais assídua vinha expurgar o que sentia, os muitos sonhos, desejos e pensamentos que me dominavam. Pois durante parte da minha vida, não tinha ninguém com quem me partilhar.

E o que me tem feito bem. Os sorrisos que já me arranquei, ao me reler, tantas vezes sem conseguir identificar-me. Quem escreveu isto? Já nem me recordava de tantas baboseiras com que me exprimia!


Mas também me esclareceu sobre o que é a vida, sobretudo aquela que partilhamos com os outros. A vida aparenta ser igual ao Mundo, ao globo terrestre, que de redondo ser, e se continuarmos a caminhar o suficiente, retornaremos ao mesmo local. Tal como caravela de Magalhães que ao dar a volta ao Mundo regressa às suas origens.

Assim parece ser comigo. Consigo identificar tanto do que no passado era e aspirava ser, com o que actualmente sinto em mim. As ânsias de loucura amorosa que me dominam, numa fácil transferência de palavras para um novo ser, como se no passado tivesse conseguido vislumbrar tão claramente o hoje futuro.

Sinto-me tão confuso. Que sentimento é este que, na agora certeza, já o vivi antes e que certamente já fez sofrer no passado e certamente irá fazer sofrer no presente e futuro.

Afaste-se de mim, quem não quer ficar dependente de um louco e os seus devaneios, tal explorador que rumava a locais desconhecidos na incerteza de poder não voltar. Que salte da caravela a tempo, para não arriscar afundar nessa tempestade que certamente irá fazer gorar a viagem começada e que ainda com esperança tem um final incerto.


A vida é um círc(ul)o.


1 comentário:

Anónimo disse...

Quem poderá não se identificar com o que descreve o estimado Sebastião, ... ou será Rodrigo Pais, estimado primo.
É próprio da humanidade os encontros e desencontros.
A certeza e a confusão.

De um passado que só fez sofrer
Em busca do amor
Cuja definição era tão vaga
Desiludia-me com aquele
Que de Amor não tinha nada