segunda-feira, março 31, 2008

Sebastian Bond

Bond, Sebastian Bond... Agent 007 and 2/3.

É com este ímpeto que irei este fim-de-semana ao Estoril. Não será uma missão ao "serviço de sua majestade", mas ao serviço da Medicina Interna e da associação portuguesa para os estudos do fígado (APEF).
Há uns dias o meu tutor convidou-me para ir a um congresso, na impossibilidade de ele próprio ir, por a esposa se encontrar um mês deslocada em Londres. Mas aproveitando a boa oferta, ainda mais quando é patrocinada por essa máfia da indústria farmacêutica, lá me deu esta oportunidade de uma formação extra em que acabei por descobri que não era no estrangeiro, para que juntando o útil ao agradável fosse também a um agradável passeio, mas sim até ao Estoril.
Fui entretanto contactado pelo meu "benfeitor", a quem certamente terei que entregar a minha alma, e lá soube que ficarei nesses dois dias de congresso, hospedado no Hotel Palácio no Estoril, local onde em certa altura da história mundial se cruzaram espiões, reis, princesas, diplomatas e gente da sociedade e onde até o próprio Bond (o outro... o que fica com as gajas todas) passou um pouco do seu tempo.
E lá vou eu espiar o que se passa no mundo secreto das iscas de fígado!

Ciúmes

Porque não te falei hoje...
Só iria dizer asneiras, estragar tudo o que prometi, hoje num dia em que senti imensas saudades tuas, como todos os outros dias em que cada minuto é passado a recordar-te, com o acréscimo de um sentimento exagerado de ciúmes, que me dominaram por completo. E porque sei que estás a tentar ser feliz, não quis "aparecer" e ser um factor destabilizador da tua felicidade, da tua, que tanto amo, liberdade.

Tive ciúmes das pequenas coisas que diariamente convivem contigo. Das pedras da calçada que todos os dias sentem os teus pés, do espelho que todos os dias vê o teu olhar, do volante do automóvel que todos os dias sente o toque suave das tuas mãos, da almofada que todos os dias sente o leve frisado dos teus cabelos, do copo que todos os dias te beija os lábios sedosos... Sinto ciúmes de tudo isso e mais. E só o facto de saber que não te posso sentir, ver, tocar, beijar, tudo isso me fez sentir que se falasse, te roubaria um pouco mais de ti, te roubaria um pouco mais de felicidade, te roubaria um pouco de liberdade.
Por isso em silêncio te recordei, como em cada minuto que o faço, linda e com o ar encantador de quem adormece numa harmonia que só é permitida a mulheres maravilhosas como tu, num sereno sono de um aconchegante sofá onde poderia ficar horas a olhar e me apaixonar por cada pedaço de ti...

E neste tempo todo, ficaram para sempre duas perguntas que nunca te cheguei a fazer e que jamais poderiam ter sido colocadas. E assim para sempre ficarei com uma dúvida que me fará recordar-te.

Ciúmes de tudo o que diariamente te sente.

domingo, março 30, 2008

Sem tabus

Sou um pouco conservador, tenho uns ideais em certos aspectos da vivência diária um pouco retrógrados, mas mantenho a mente bem aberta a novas experiências e visões de vida.
Mas não deixei de ficar um bocadinho "chocado" com uma reportagem que hoje passou num canal de sinal aberto e sobretudo por se tratar de horário nobre. Não sei que mais irão fazer as televisões na luta feroz por audiências.
O tema em si, está cada vez mais a deixar de ser tabu. As pessoas cada vez mais aceitam o sexo como parte integrante da vida de cada um, estão mais desinibidas a discutir os problemas da sexualidade e cada vez mais há pessoas que procuram novas "abordagens" e experiências à prática do sexo. Ok, tudo bem até aqui. Mas em horário nobre, com potenciais crianças a ver. Não é que não seja importante os pais falarem sobre isto às crianças e cada vez mais precocemente. Mas uma coisa é falar de práticas, diria mesmo saudáveis de sexo, outra é falar de práticas estranhas de sexo, com acessórios estranhos, o voyerismo o exibicionismo.
As pessoas precisam de facto de educação para a sexualidade feita de forma séria e que sensibilize sobretudo para uma prática de sexo seguro, não do impacto de reportagens que o único objectivo é causar o escândalo entre os telespectadores e assim fazer subir o share médio para um determinado horário.
Deixe-se de pensar menos em audiências e mais em informação. Adaptando ao tema uma expressão ultimamente muito usada por professores...

Educação sexual sim, assim não.

sábado, março 29, 2008

Desequilíbrio

Estou a ficar velho, ou como diz a expressão popular, "quem não tem cu não se mete a paneleiro"...
Armado em jovem, que em nada se abala, sejam quedas, embates, tormentas, fui andar de mota sem um necessário, agora compreendo o porquê, aquecimento. Sei que os pilotos automóveis fazem uma boa preparação física, apesar da sua actividade ser executada sentada. Mas sempre pensei que era mais mariquice, para impressionar as fãs com os grupos musculares bem desenvoltos, do que a sua necessidade.
Mas no fim da diversão lá vieram as consequências. Fiquei com uma cervicalgia que agora nem sei como dormir.

Há uns tempos, um mestre do Reiki, em Serpa, tentou-me explicar que a doença se instala em cada um de nós quando surge um desequilíbrio no nosso corpo entre as forças positivas e as forças negativas. E apesar de tudo me parecerem na altura balelas, fruto de um psicótico brasileiro, fui percebendo que mesmo a nível estritamente científico este tipo de teoria tinha aceitação. Há mesmo uma hipótese que relaciona o grau de imunidade celular e humoral de cada um de nós, no combate a cancros, infecções, etc, com o estado de humor psicológico. E não pouco frequentemente é em fases de depressão que muitas doenças, até então ocultas se vêm a manifestar.

Quanto a mim, não sei se estou numa fase mais deprimida, mas a verdade é que ao juntar a esta dor cervical, tenho andado com uma sinusite que se arrasta há bastante tempo, que quase me levou à cova, porque mais uma vez lá diz o povo, "em casa de ferreiro, espeto de pau".

Que bem me sabia agora uma boa massagem.

Wild

Há brinquedos que saem caros e que no meu equilíbrio orçamental, dificilmente os fazia incluir como imprescindíveis. Mas o certo é que uma moto de quatro rodas dá uma emoção ao ser conduzida por esses trilhos e caminhos, fazendo-nos sentir donos e senhores de tudo.
De vez em quando, lá vou eu dar umas voltitas nesse brinquedo que o meu primo comprou há uns anos e esquecer tudo o resto, acelerar até ao red line no meio de matas e pinhais, escavando terra, e retirar um gozo imenso disso. Foi o que se passou este dia. Aproveitando um do sol primaveril que sorria por entres os restantes dias tristes de chuva e frio, peguei na mota, atestada que estava de sangue na guelra, e fui libertar algumas das tensões que durante a semana se foram acumulando, e descobrir que estou a ficar um pouco velho para tanta emoção radical!

Born to be "pouco" wild...

sexta-feira, março 28, 2008

Solicitação

De repente e após te ter dito que tenho saído com outras pessoas pareces insistir em algo que ficou lá no passado e que eu não estou interessado em reviver. Continuas com solicitações para partilha de momentos para os quais não acho correcto ou oportuno ter contigo.
Nunca te cheguei a compreender bem nestes anos que passámos juntos, com as flutuações de entrega que estavas disposta a dar, mas para as quais te fui sempre fiel. Agora entendo-te muito menos e não sei o que se passou de diferente para de um momento para o outro reveres em mim novo interesse, que estranho, por te conhecer tão bem, ou será que não te conheço de todo?
Certo que eu me tornei numa pessoa um pouco diferente desde então, mas foi para o interior de mim próprio, porque para fora, para ti estou disposto a ser sempre o mesmo que te vai guardar como uma boa amiga. Fiquei mesmo muito contente por descobrir que te guardei como uma boa amiga e por isso, mais não sei que te dizer sem te magoar, afastar demasiado e mesmo a amizade poder perder...
Eu sofri muito após Julho, mas consegui ultrapassar esses anos que pensei que não iria esquecer facilmente. Tu sobre a capa que gostavas de colocar de parecer mais forte do que realmente eras, até me pareceste bem mais determinada que eu em seguir por caminhos distintos, e fiquei várias vezes a sofrer ao pensar que o irias fazer no dia seguinte, que tudo o que tínhamos vivido em conjunto tinha tido pouco significado para ti.
Agora chegou o momento de também tu avançares, ultrapassares tudo o que foi passado para nós, e perceberes que eu não estarei sempre a teu lado para te proteger como fazia e verás que também tu serás feliz e encontrarás, como tantas vezes me repetiste nos nossos piores momentos, alguém melhor que eu, que te saiba amar como tu mereces...

Unavailable...

quinta-feira, março 27, 2008

A motoreta

E não é que de vez em quando se encontra cada um!
Estava eu em mais uma urgência, dessas que são um perfeito caos, em que já bastam os doentes que acorrem por sua livre e espontânea vontade e depois se vêm a juntar os que são enviados dos vários centros de saúde e hospitais menores dos arredores. A determinada altura atendo um doente que tinha sido enviado do Hospital de Tondela. E para provar como a colheita de uma boa história clínica é fundamental para uma boa orientação terapêutica e diagnostica, eis que chega este doente com uma suspeita de enfarte agudo do miocárdio. Ora agudo é praticamente sinónimo de instalação súbita de sinais e sintomas, mas o que este doente referia eram queixas de meses, sem qualquer agravamento nas últimas horas, sequer nos últimos dias. Mas não fosse o diabo tecê-las, lá deitei uma mirada a este caso como a tantos outros em que as queixas podem passar despercebidas.
Ao fim de colher a história, orientar uma terapêutica para o que me parecia ser mais uma dispepsia do que propriamente um enfarte e pedir umas análises para excluir mesmo este tipo de patologia, lá ficou o doente à espera da acção terapêutica instituída bem como do resultado analítico pedido.

Nem uma hora tinha passado, e vendo melhorias das queixas de meses, lá vem o doente dirigir-se a mim, muito atrapalhado a pedir-me para lhe dar alta, não tanto porque as queixas que eram agora menores terem passado, mas porque, tinha deixado a sua motoreta parqueada à porta do Hospital de Tondela, e com o aproximar da noite, estava com receio que algum malandro passasse e lhe levasse o veículo que tanto estimava!
Nem sei que expressão fiz, mas devo ter deixado transparecer que me iria rir a qualquer momento, não pela situação que me sensibilizou bastante e de imediato tentei orientar o doente, mas pela imagem de quase banda desenhada cómica que mentalizei em ver o doente montado numa pequena motoreta a cair de velha, que tantos anos aguentou a carga deste senhor que parecia um autêntico pickwick!

Da próxima traga a motoreta que também se lhe dá um jeito!