Perante a imensidão de tudo, que sentido toma todas as nossas dúvidas, perguntas e incertezas?
Contemplar tudo o que me rodeia, olhar à noite e ver o céu que me esmaga, de uma dimensão implacável mas, no entanto calma e serena. Olhar para cima e saber, com uma certeza que me gela e fascina, que aquela imensidão negra salpicada de luzes antigas não quer saber de mim. O Universo estende-se num tempo que não consigo medir, desenhando maravilhas numa tela infinita onde cada estrela é um milagre e cada galáxia um sopro. E eu aqui, tão dramaticamente finito, tão ridiculamente pequeno.
É estranho como passamos os dias a erguer monumentos de ansiedade, a carregar o peso do mundo nos ombros, a chorar as perdas como se o cosmos e a dimensão de uma espiritualidade divina estivesse de luto connosco. Ou noutros momentos a celebrar as nossas pequenas vitórias como se os astros aplaudissem de pé tamanha insignificância.
Agigantamos os nossos medos como se fossem maiores, os nossos desejos como se fosse insaciáveis e os nossos pequenos dramas quotidianos como se fossem únicos. Criamos autênticas tempestades em copos de água e esquecemo-nos de que o próprio oceano onde flutuamos é apenas uma gota invisível na imensidão de tudo.
Tudo o que me tira a serenidade necessária de viver em paz, seja pela pressa do mundo, o receio de falhar, o orgulho ferido de arriscar e perder, ou o simples anseio pelo amanhã, tudo isto, não mais é do que miudezas, dessa poeira cósmica suspensa num raio de sol, como dizia Carl Sagan. Desperdiçamos tanta vida a tentar dar uma dimensão eterna àquilo que é efémero e reconhecer esta pequenez, não deve trazer amargura, mas sim um alívio.
Se sou um sopro num tempo sem fim, então os meus erros também o são. Se os meus problemas são minúsculos perante a grande criação divina, posso finalmente respirar tranquilamente, por essa beleza libertadora em aceitar que sou pequeno, que me livra da obrigação de ser gigante, um santo e me devolve o direito de ser...

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