Têm sido recorrentes os dias em que sinto uma vontade enorme de não fazer nada. Nada. Ficar só num estado vegetativo, a contemplar o vazio de pensamento. Talvez seja pelo cansaço acumulado. Pelas noites recorrentes de sono pouco profundo, de um constante sobressalto que não me deixa desligar totalmente da consciência e do estado de alerta.
No entanto, é mesmo nos momentos de maior exaustão, que numa luta inconsciente, se liga e liberta o modo automático de trabalho, alimentado pelos traços obsessivos de ver tudo organizado. É quando, mesmo num estado de quase esgotamento físico e emocional, lido com as tarefas domésticas, de cozinha, de acompanhamento escolar e de um sem número de pequenas situações que me consomem ainda mais. E não há sonecas que me valem para tamanha empreitada. É como se o meu dia normal tivesse essas 36h diárias e ali cabe, metodicamente, tudo o que fazer.
Pergunto-me de onde vem essa estranha energia, que no idealizado pela mente só me empurra para o leito do descanso tranquilo, mas que na realidade, me arranca do estado amorfo e me obriga a ser útil, prático e eficaz.Digo em jeito de graça, que na morte terei tempo para o descanso, mas de facto, sinto-me a morrer lentamente no interior, com perdas de memória, actos falhados e uma certa desinibição pré-frontal que não era de mim.

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