O envelhecimento é um processo biológico natural. E se um dos picos é por volta dos 40 anos, sinto-me cada vez mais nesse processo normal de ganho progressivo de sinais e sintomas de uma perda progressiva de capacidades. O corpo torna-se no eco do cansaço, onde cada linha de expressão e cada perda subtil de vigor não são falhas, mas sim a caligrafia da própria vida a inscrever-se na nossa pele.
Habitar o corpo nesta etapa é aprender a ler um novo mapa. A rigidez matinal, um fôlego que claudica mais cedo, uma vertigem que aparece do nada, uma nitidez que se esbate no olhar, surgem como o reverso inevitável de uma perda fisiológica natural. É o relógio da vida a ditar o seu ritmo, lembrando-nos de que a juventude não era um estado permanente, mas passageira.
O que é físico não opera no vazio, mas é caixa de ressonância da nossa mente e têm surgido cada vez mais estudos a correlacionar estas duas dimensões, sobre a relação entre bem-estar emocional e processos de doença. Quando o desconforto emocional se instala, seja pelo peso das responsabilidades, pelas crises existenciais da meia-idade ou por anseios silenciosos, a fronteira entre o que é puramente biológico e o que é anímico esbate-se de forma assustadora. As dores multiplicam-se, as queixas fragmentam-se e o cansaço deixa de ser apenas físico para se tornar uma névoa que cega o quotidiano numa dor total.
O bem-estar emocional e a saúde física partilham o mesmo ecossistema. Quando o coração ou a mente pesam, o corpo verga e a doença encontra terreno fértil para se manifestar. Escutar estas múltiplas queixas contemporâneas é perceber que, talvez, o corpo não esteja apenas a envelhecer, está, acima de tudo, a tentar falar. Está a exigir a pausa, o acolhimento e a cura das feridas invisíveis que a biologia, por si só, não consegue explicar.

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