sábado, março 21, 2026

Sonhei contigo

Rever-te, rever o passado não muito distante, que nos últimos dias criaram um grande impacto emocional em mim, deu azo para que nos meus sonhos aparecesses como essa recordação bonita do que ainda não foi vivido.

Ao te ver, foi como se os ponteiros do relógio deixassem de contar, nesse momento estático temporal onde dois olhares se fitam numa conexão profunda. Sem palavras, ou cumprimentos, abraçamo-nos, numa união de duas almas em uma só, como se ali se dissipasse, naquele momento, toda a tormenta que em nós existe.

E sem licença ou desculpas os nossos lábios encontraram-se num sopro de vida intensa, que libertou a paixão reprimida pela distância física. Perdemos as amarras das nossas vidas e do passado, para intensamente viver esse presente de duas pessoas individuais que partilham o mesmo leito, num momento que se prolonga tranquilamente.

E tudo se desenvolveu, tão naturalmente, como se soubéssemos onde estar ou o que fazer para dar prazer um ao outro, como se estivesses dentro dos meus pensamentos e eu nos teus.

Explorei delicadamente cada pedaço teu, com os meus sentidos mais sensíveis, o toque dos dedos e dos lábios, sentir-te arrepiada, sem qualquer palavra. Ouvir esse gemido leve, mas irresistível que me faz ficar tenso, de uma dureza semelhante ao aço, este não frio e desconfortável, mas quente, húmido e cheio de vontade de viver dentro de ti. Mas que ainda não o permito libertar-se em ti. Antes detenho-me perante ti, no meio das tuas coxas, como se elas me apertassem, para não me deixar escapar e com a sensibilidade da minha língua faço amor com a tua erecção. Acaricio-te gentilmente, para arrancar de ti uma violenta mas deliciosa reacção, louca e descontrolada, que te faz vir na minha boca e saborear na plenitude o que de ti escorre. E num momento súbito, entrar profundamente em ti, nesse ímpeto entre gritos e choro de um prazer que se prolonga num tempo que não mais passa.

Sentir o teu calor, o teu suor, o teu respirar ofegante, o teu palpitar síncrono com o meu, num viver intenso que dá prazer e tesão. Penetrar-te tão fundo e tão duro, que sentias cada pedaço de mim dentro de ti. Sentires o meu peso em ti, que te conforta. E quando já não controlo o desejo em mim, sou eu que agora expludo. Também gemo, mas levemente, num controlo descontrolado de quem vê vida sair de mim, mas que me renova e reaviva.

E ficamos. Aninhados um no outro, com palavras ditas como em segredo ao ouvido, ao coração um do outro, de que aquele momento fica intemporal em nós. Uma união carnal, que se transforma numa união também espiritual.

Sentir que o que aconteceu em sonhos, pode ser essa realidade impossível que poderá nunca chegar, mas que nutre em mim essa vontade insaciável de ti, de te manter em mim, como uma dolorosa lembrança do que ainda não aconteceu.

"Não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram."
Fernando Pessoa

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