quarta-feira, dezembro 12, 2007

Comunicar

Penso eu que tenho o dom da palavra, mas no momento da verdade, lá se vai a presença de espírito e surge a insegurança, o pouco controlo, enfim, a ignorância.
Foi-me pedido que integrado no meu estágio na Clínica Geral e Medicina Familiar fosse apresentado um tema de interesse clínico, para os restantes colegas do Centro de Saúde. Até aqui tudo bem. Nada de novo, entre journal club, revisões teóricas de doenças, novas terapêuticas, tudo já experimentei, com maior ou menor domínio da matéria. E desta vez, foi uma revisão sobre a introdução de Insulinoterapia num diabético do tipo 2. Não era à partida uma tarefa difícil, conhecia o tema, com algum domínio do assunto e com a devida preparação seria de certo uma apresentação fenomenal. Tinha inclusive feito uma espécie de guião, que li e reli até à exaustão, para acompanhar a informação disponível visualmente na apresentação, para que saísse um discurso fluente e sem os famosos momentos "ahh", bengalas de linguagem que me atormentam e perseguem.
Não resultou. A ansiedade criada até por uma apresentação em família, fez com que o discurso parecesse mais desconexo, com falhas, parecendo um ignorante no meu próprio trabalho... Mas lá passou com as palmadinhas finais nas costas de consolo e agradecimento, de uma plateia que era inicialmente só de médicos, mas que afinal se engrossou e passou a ser constituída também por enfermeiras que após terem conhecimento do tema se quiseram juntar e que me fizeram sentir julgado em demasia, por quem lida diariamente pelo ensino directo ao diabético.
Para a próxima tomo um ansiolítico!

terça-feira, dezembro 11, 2007

Frio

Chegou por fim o frio. Esse de Inverno que nos aquece por dentro, das roupas que nos mimam pelo seu aconchegante calor, e que nos faz querer ficar no saboroso quentinho caseiro, da cama pela manhã e da lareira pela tarde.
O frio que nos faz lembrar desde cedo o Natal, o convívio próximo dos que nos são próximos, com quem gostamos partilhar estes dias.
O frio que nos faz arrepender sair de casa para ir trabalhar, para as compras da época e que nos faz recordar quantos perecem perante a adversidade destes dias, sem condições para o ultrapassar.
O frio que nos vota à reflexão interior, ao bem-estar emocional e nos traz o calor da solução, da absolvição!

Adoro o quentinho do Inverno!

domingo, dezembro 09, 2007

Event Maker's

Portugal tornou-se num país daqueles que só servem para a diversão externa, um país organizador de eventos. Não que nos tire dignidade no bem receber quem vem de fora, mas tornámo-nos em autênticos vassalos das "super-potências" europeias e mundiais para os comes e bebes, escamoteados sob a forma de cimeiras, tratados e afins, que entre atrasos, viagens e jantaradas, nada decidem em concreto, só ideias muito vagas que ninguém cumprirá, numa brincadeira de políticos de três dias.
Desde 1998 que tem sido assim, senão desde antes, um constante pedir de esforços ao comum cidadão para o show off internacional, e para rejubilar-mos com os agradecimentos de hipocrisia dos restantes, por perceberem que somos tão bons na organização de festinhas, sem ter a mesma capacidade organizativa interna, no controlo da economia, da sociedade, de política.

Se houvesse o mesmo investimento interno...

sábado, dezembro 08, 2007

Acordei contigo

Que sensação estranha esta de acordar contigo, em sobressalto, como se antecipasse algo de mal que se passasse contigo. Dormia descansado, nada nos meus sonhos antecipava este evento, sonhava com o Porto cidade, naqueles sonhos que não têm explicação e de repente senti uma angústia, um verdadeiro ataque de pânico, que me acordou e me fez perceber que estava a sonhar contigo. Linda como sempre, a visão de um anjo brilhante de beleza infinita, junto a mim, numa partilha de afectos que não conseguia dominar.
E como me custou voltar a adormecer, contigo ali ao meu lado, sem querer, no entanto, voltar a abrir os olhos com receio de te perder para sempre nessa noite em que...
Foste o meu despertar.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Com antecedência

Devo ser como tantas outras pessoas, mas sinto-me como aquela que menos sorte tem no Mundo inteiro. Pergunto-me continuamente, que mal devo ter feito, para merecer tanto azar?
É incrível como nunca posso combinar nada com alguma antecedência, porque acaba sempre por correr tudo mal. O inesperado torna-se comum, o imprevisto o normal.
Chego mesmo a ter medo de combinar seja o que for, e deixar-me levar pelo vento da circunstância e do momento, para não ter que enfrentar a desilusão, a tristeza que se abate sobre mim, pelos projectos falhados, pelas expectativas frustradas e que se torna imensamente maior, quando sei com toda a certeza que há dentro de mim, que o que ficou por fazer me traria grande felicidade.
Será que tanto azar não acaba nunca?

terça-feira, dezembro 04, 2007

Autonomia

Não me via preparado, de forma tão súbita, para enfrentar a solidão do acto médico. Legalmente, sou mesmo obrigado a estar continuamente acompanhado em tudo o que faço, enquanto interno do ano comum. Mas a verdade, é que me tem sido imposta a necessidade de permanecer sozinho num consultório, independente, e ver doentes dos quais a grande maioria, desconheço o contexto social e familiar, factor de extrema importância em consulta de Medicina Geral e Familiar. Numa política do desenrasca muito típica à portuguesa, na falta da pessoa que me devia tutorar nesta fase de formação, por se encontrar doente, foi sugerido em "conselho plenário", no qual eu não tive voz, que para não haver maior prejuízo, seria eu próprio a herdar a difícil tarefa de ver os doentes. Na minha opinião não foi a decisão mais acertada. Não ficam por ser vistos... Mas até que ponto lhes presto um serviço de qualidade, lhes ofereço as melhores condições de saúde? Mas com isso ninguém se interessa. O que conta são os números.
Tem sido uma experiência no mínimo diferente e desafiadora, e se não fossem as várias vezes em que admito humildemente a ignorância em certos aspectos da clínica geral, muitos seriam as vozes de descontentamento, mais do que as que se ouviriam pelo facto de uma pessoa não ser de todo consultada.

Um médico não deveria adoecer...

sábado, dezembro 01, 2007

1640

Com que facilidade nos esquecemos do nosso passado, do passado colectivo, memória intemporal de uma sociedade. Para muitos, o 1 de Dezembro não passa de mais um feriado, uma folga do fastidioso trabalho e de uma grande chatice quando coincide com o fim-de-semana. Mas esquecermos desta maneira o passado, é esquecermos a nossa identidade nacional e mesmo a nossa própria identidade pessoal.
Foi em 1640, que valorosos portugueses se emanciparam de uma soberania espanhola, e reatribuíram a Portugal o seu desígnio de potência mundial que o tempo e a falta de coragem em momentos históricos acabariam por apagar. Tornaram-se naqueles que vieram a ser os melhores anos de Portugal, os que se seguiram, até às invasões francesas do século XIX, altura em que ideais republicanos se instalaram na sociedade, sob o falso disfarce de valores humanistas de progresso, minando por completo os valores de uma nação estável, na certeza de uma continuidade responsável, mas de grande respeito pela dignidade individual e de um povo.
Mas como o passado não se altera, resta esperar pelo regresso da razão e verdade, no repetir cíclico da história e da vida.

"Independência ou Morte!"
"grito do Ipiranga" - D. Pedro IV na proclamação de independência do Brasil em 1822