Passei os últimos dias a pensar sobre a constante inconstância dos meus actos. No vai e vem de sentimentos e de palavras que confudem.
Nem sei bem como começar, como se a escrita outrora fluente, estivesse agora bloqueada. Mas sei que preciso de assumir o que o silêncio tem tentado esconder. Há dias em que a culpa pesa tanto que nos faltam as metáforas certas. Mas hoje, olhando para o vazio que ficou entre nós, e com uma frase que li, percebi finalmente com uma maior clareza.
"Como posso culpar o vento pela destruição que fez, se fui eu que abri a porta?"
Era eu quem te devia ter protegido, o teu coração, a tua paz do vento suave onde vivias e que desarranjava o teu cabelo. Em vez disso, deixei o vendaval do meu caos entrar e desabar o que tinhas de mais bonito. Foste tu quem sofreu o impacto de uma tempestade que nunca te pertenceu. E a verdade, nua e crua, é apenas esta, "pessoas confusas magoam pessoas incríveis."
Tu foste, e és, incrível em cada detalhe, na tua paciência, na tua sapiência e na tua luz. Eu sou apenas a confusão, o labirinto que não se sabe decifrar. Desculpa por não ter sabido fechar a porta a tempo. Desculpa por ter permitido que o meu barulho interno silenciasse o teu afeto.
Por saber o quanto te mago-o, percebo que o meu último ato de cuidado é afastar-me. Não te posso prender ao meu processo de cura, nem pedir-te que entendas como eu me organizo por dentro. Mereces que alguém seja abrigo, não tempestade. Liberto-te de mim, do meu desalinho e de qualquer obrigação de desculpar.
Fica bem, segue o teu trilho e guarda apenas o que de bom deixei como força para fazeres o teu próprio caminho.

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