A novela que decorre nestes dias e que se tornou drama maior do que todos os restantes problemas sociais, económicos e mundiais, revela o narcisista que há por detrás da personagem principal.
Querer subjugar o que há de bom num colectivo, pelas qualidades individuais, ainda que muito acima do normal, e sentir-se ofendido quando o caminho escolhido ignora os caprichos próprios, fez-me rever uma das minhas muitas lutas e que são objecto de reflexão pessoal.
Na verdade, questiono-me recorrentemente se não há muito de um narcisista dentro de mim. Não é que me queira comparar a um Ronaldo de uma qualquer área específica de actividade, mas nesta necessidade de uma validação constante, numa recusa de ser esquecido pelos demais. Mesmo a escrita, não será porventura uma dessas formas de narcisismo expresso na tentativa de gerar admiração?
Se não fosse o desagrado que sinto pela minha imagem física, estaria completa a figura de Narciso, a definhar para sempre fitando o meu reflexo nas águas límpidas de um lago, enquanto em redor o mundo corre com todas as suas maravilhas.


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