Quando me pediram para escrever algumas palavras para fazer parte de um livro, como prenda de aniversário, fiquei com um bom sentimento, de reconhecimento de alguém que marcou positivamente a vida de outrem.
Mas, sou eu que me sinto diariamente grato pelo que esta pessoa, como um punhado de outras, significam e significaram para a minha vida. E lembrei-me da expressão de que "às vezes milagres, são só pessoas com corações gentis".
E eis o que saiu (nome fictício):
Até conhecer pessoas como o Zé, sempre imaginei os milagres como eventos grandiosos, feitos de impossíveis. Esperava por eles nos momentos de desespero, de olhos postos no céu, aguardando uma intervenção divina que mudasse o rumo dos infortúnios ou curasse as dores do mundo num estalar de dedos.
Mas o tempo ensinou-me a olhar para o lado. Quando a vida parece ingrata, cheia de egoísmo, quando o peso dos próprios passos parecem excessivos para as forças, eis que surgem pessoas como o Zé, com a sua sempre boa disposição que contagia, preenchido com um coração de uma gentileza quase divina. Não pela expressão de feitos grandiosos, mas pelos pequenos gestos de uma dimensão gigantesca. Uma mão estendida, um olhar que não se desvia ou uma palavra dita no momento certo. Alguém com a capacidade de parar a sua própria vida, por um segundo, para ser abrigo ao outro.
Percebi, então, que os milagres que tanto procuramos nas estrelas, caminham na verdade, no mesmo solo que nós. São pessoas como o Zé que trazem calor num dia frio, que escutam sem a urgência de julgar, ou que dividem o pouco que têm como se fosse uma fortuna.
O sobrenatural não está na suspensão das leis da física, mas na suspensão do egoísmo humano.
Hoje, quando me perguntam se acredito em milagres, sorrio. Penso nos rostos das pessoas que se cruzaram no meu caminho e em cada alma descomprometida com a vaidade e inteiramente dedicada à bondade silenciosa.
Sim, eu acredito.
Porque enquanto houver alguém disposto a ser o sol na tempestade de outrem, o mundo continuará a ser salvo, todos os dias, sem que ninguém precise de saber.
Se sinto saudades de partilhar os espaços que outrora foram a minha casa, sinto-a pelas pessoas como o Zé, que davam humanidade às paredes que a constituíam.
Um grande abraço! Muitos parabéns!
Que continue a ser o Zé. Só isso diz muito da pessoa que é e de toda a sua grandeza!

Sem comentários:
Enviar um comentário