À noite, quando o mundo se silencia e os meus olhos finalmente se fecham, o universo corrige a sua rota e na liberdade dos meus sonhos, tu és minha. Ali, não existem passados desalinhados, distâncias intransitáveis, ou o peso dos dias que correm sem ti. Caminhamos juntos sob céus inventados, rimos de piadas que nunca contamos acordados e a tua mão encaixa na minha com a certeza absoluta de quem se pertence ao tornar o mundo mais belo. Nesse espaço sem tempo, o toque que me aquece e o beijo que me sacia não é uma busca, é uma constante, um território seguro onde te posso prender num abraço sem medo do amanhecer.
Mas a luz da manhã é um carrasco insensível que insiste em dar nome à tempestade de dor que me preenche e domina. Abro os olhos e a luz rasga a penumbra do quarto, devolvendo-me à solidez implacável dos dias e a verdade desperta comigo, fria e lúcida, onde na realidade, tu és o meu sonho. És aquela imagem bonita que persigo de olhos abertos, a fantasia que ilumina a rotina cinzenta, o impossível que insisto em querer tocar. Tornaste-te na minha utopia, a meta que sei que nunca alcançarei, mas que me faz continuar. Vivo suspenso nesta doce e cruel dualidade de te ter por inteiro na ilusão da noite, e a de passar o dia inteiro a sonhar acordado com o que nunca seremos.

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