Apareceste sem aviso. Descontraída vieste ter comigo à sala, quando os meninos ainda dormiam. Aninhaste-te comigo no sofá, ao meu colo, num pedido sem palavras de mimo e carinho. Tu que me lês, mas não me julgas nem repreendes. De ti só essa compreensão infinita da minha loucura em sonhos e ilusões.
Olhos nos olhos, beijamo-nos lentamente, sem pressa alguma, sem vontade de acabar o que começámos. Detemo-nos em momentos intemporais a saborear cada pedaço, cada olhar. No silêncio, interrompido apenas pelo respirar profundo e suspiros de cada um, segredamos ao ouvido o desejo e o amor que partilhamos juntos, não com receio de sermos ouvidos pelo mundo lá fora, mas por uma intimidade única em comum.
Tu dizes que és minha. Eu sou teu. Nas pulsões sem consciência do coração e da mente, tu és alma. Permitimo-nos a partilhar e ser partilhados em corpo, mas a alma, essa pertence só ti, numa espiritualidade sem tempo, sem espaço e sem fim. Não há mal que não tenha cura, se o que é maior do que nós permanece saudável.

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