No meio das densas correntes que nos rodeiam, vejo-me como uma pessoa de olhar atento que acompanha de perto o rosto dos restantes. Um olhar próprio que celebra a luz do sorriso e que se ensombra quando o peso do mundo torna os outros, sérios, sisudos, recolhidos no seu próprio silêncio.
Diante dessa percepção, aceito vestir voluntariamente o disfarce de um palhaço do quotidiano. Alguém que inventa pretextos banais, como a leitura fingida de um texto lúdico, um comentário casual, uma distração orquestrada, apenas para romper o nevoeiro e resgatar a alegria que parece perdida ou distante.
Porque ver o riso e restaurar a serenidade é, para quem observa, a certeza de que a beleza do mundo ainda resiste ao cinzento da indiferença actual.

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