sábado, agosto 29, 2026

Amor infinito, tempo finito

Há uma verdade bonita e ao mesmo tempo dolorosa no amor por um filho. A força da entrega absoluta, uma busca incessante por uma felicidade que se deseja mútua e eterna.

Perante a chegada de novas vidas, assistimos a um milagre de expansão interior. O afeto não se fragmenta, expande-se, a alegria não se divide, multiplica-se.

Porém, a física do mundo impõe-se cruel. Se o amor ignora fronteiras ou limites, o tempo permanece finito e inflexível. Na ampulheta de tempo quotidiana, os minutos não se multiplicam e, na partilha inevitável das horas, a qualidade do encontro dilui-se no corropio dos dias. É nessa fresta de ausência velada que nasce o ciúme entre irmãos, essa sombra que cresce silenciosa no chão da infância e que, se não for apaziguada pelo tato da compreensão, pode deixar sulcos profundos na alma, cicatrizes que os adultos carregam em segredo pela vida fora.

Ainda que o amor possa ser infinito, que se multiplica sem fim, o tempo esse é finito e não se estica. E a limitação da entrega por amor, está presa à finitude temporal.

1 comentário:

Anónimo disse...

Como, no meio da azáfama dos dias e do rodopio dos conflitos internos, dar qualidade a cada minuto que passa?