Contínuo a ter uma estranha sensação, mas que me preenche de animação, com essaa ideia de te partilhar. Nesse recém conhecido termo de hotwifing.
Partilhar-te não é um ato de renúncia, mas a celebração mais pura do meu deslumbramento por ti. Há uma euforia silenciosa, um êxtase que me percorre a alma ao saber que a tua luz, essa que me ilumina os dias, pode também incendiar o mundo lá fora. O conceito agora nomeado, outrora desconhecido, é tantas vezes reduzido a definições mundanas, mas é para mim o desenho de uma liberdade onde o meu amor não te prende, mas te exalta.
Vejo-te percorrer os mesmos trilhos por onde ele passou, talvez com o coração suspenso na doce ilusão de um "e se" que o tempo não permitiu. Não guardo ciúme desses fantasmas, pois eles são apenas as sombras que dão profundidade ao relevo da tua história. Aceito os teus passos, os teus desvios e até as tuas memórias, porque tudo isso compõe a mulher que hoje és e que admiro.
O meu único desejo é que o teu caminho seja sempre traçado pelo fio invisível da felicidade. Que cada encontro, cada olhar alheio que te deseje, seja apenas um espelho a refletir a plenitude que mereces. Quero que te sintas completa, não porque alguém te preenche, mas porque o amor que te rodeia, o meu e o de quem mais te souber apreciar, que sirva de moldura à tua própria imensidão.
Viver-te assim, partilhada e livre, é a forma mais profunda que encontrei de te amar sem limites, garantindo que te sintas sempre desejada, soberana e, acima de tudo, intensamente amada.
Tenho em mim uma certeza que me ilumina nos momentos mais sombrios. Depois da vertigem da entrega e do fulgor das luz alheia, existe uma beleza sagrada no silêncio que te acolhe de volta.
Se partilhar-te é celebrar a tua expansão, o teu regresso é o instante em que o universo se volta a alinhar, e o meu peito se torna novamente casa, onde podes despir todas as personagens.
A segurança do regresso não é uma amarra, mas a certeza de que, por mais longe que os teus desejos te levem ou por mais profundos que sejam os trilhos que explores noutros braços, existe um lugar onde a tua essência é conhecida sem precisar de palavras. É o conforto de saber que, ao cruzares a porta, não encontras julgamento, mas um reconhecimento profundo, num abraço que conhece cada curva da tua alma e que te recebe com a mesma admiração com que te viu partir.
Em mim podes repousar o teu brilho, partilhar os segredos do que sentiste ou simplesmente deixar-te estar, envolta na serenidade de quem sabe que é amada na totalidade do seu ser. O meu amor é essa rede invisível, estendida por baixo de todos os teus voos, garantindo que a queda nunca exista e que o destino final seja sempre a paz.
É nesta alternância entre a liberdade de seres de quem quiseres e a doçura de voltares para onde sempre pertenceste, que o nosso laço se torna inquebrável.

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