Um primo que se encontra num processo de separação, fruto das suas escapadelas fora do casamento, ignorando e desvalorizando o sofrimento em silêncio da esposa, veio-me pedir para servir de arauto junto da mulher, para que esta reconsidere a decisão. Ambos entederam que eu e a minha mulher somos para eles, um exemplo exemplar de casal e união. Que frequentemente têm-nos como referência de casamento feliz, fiel, realizado.
Tais palavras e observações, ignoram o desconhecido. As lutas diárias que foram e que são para manter acesa essa chama que se chama matrimónio. Nós, que fomos já, infiéis, que nos deixámos levar por essa força dominadora do desejo, que nos modificou e nos fez as pessoas tolerantes que somos agora.
Um dado é real. O diálogo verdadeiro que sempre nos guiou. Nessa dor menor de saber e que nos faz adaptar ao ritmo da descoberta, em relação a uma dor maior do desconhecido que destrói a mente e a confiança.
Ao nos revelarmos, eliminamos a dúvida, a incerteza, a indefinição.
Claro que dói e é difícil de integrar em nós, que sempre idealizamos uma vida em comum de conto de fadas. Mas seria maior o dano de perder alguém que sabemos que amamos, mais do que a nós próprios.
"Bom dia L.
Estou a contactar-te porque assumi um compromisso de o fazer, junto de uma pessoa que é meu primo.
Mas não o faço para te tentar influenciar em qualquer decisão que vá contra ao que consideras importante para TI.
Talvez ignores como é a maioria das pessoas, que se deixa levar por sentimentos de desejo, os quais dominam parte do dia a dia e dos pensamentos.
NADA desculpa uma perda de confiança num casal. Seja por "pensamentos, palavras, actos ou omissões", sem verdade e diálogo honesto (mesmo que doa no início), não pode haver aceitação ou compreensão.
Também aqui somos todos diferentes. Há quem fuja constantemente ao diálogo sincero e tente continuamente desvalorizar os sentimentos do outro, tratando-o como exagerado ou "tolinho". Tentar diminuir o real, reduzindo-a uma ilusão do que foi comprovadamente objectivável, é de uma mesquinhez que não pode acontecer.
Deixa-me só concluir. Ninguém tem vida perfeita. O desejo quase animal de nos sentirmos aceites, desejados fisicamente é tantas vezes forte e é preciso um grande domínio emocional para o controlar. Mas tem de haver barreiras, aceites por ambos.
Estarei disponível para algum desabafo da tua parte, mas sem qualquer pressão ou obrigação. Porque és uma mulher forte e consciente do que será melhor para ti e para as tuas filhas.
Beijinhos"
Conselheiro matrimonial, sem saber como ajudar...
Rodrigo Pais

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