segunda-feira, maio 11, 2026

Fecundidade

Hoje celebra-se a vida da minha madrinha. E o seu nascimento só poderia ter sido em Maio, o mês de Maria, a mãe por excelência.

A minha madrinha é das almas mais fecundas que já conheci. Na dor, nunca escondida, de não ter embalado o próprio sangue, após uma sucessão de gravidezes interrompidas, uma delas, ferida aberta, às 28 semanas de gestação, teve a força de transmutar a sua perda em maternidade universal, tornando-se mãe de tantos, familiares e conhecidos, através de uma entrega altruísta e genuína ao mundo.
Foi, e é, para mim, o arquétipo da dedicação ao próximo, descurando sempre, com nobreza, qualquer interesse pessoal.
Ainda hoje lhe disse, sentindo do outro lado da voz essa lágrima fácil que tão bem a caracteriza, que a mulher que ela é só poderia ter nascido neste mês. Como se o dia 13 de Maio não celebrasse apenas o seu nascimento, mas a sua consagração, de uma dádiva gerosa, uma fecundidade profícua, feita de tanto bem ao próximo.
Obrigado!

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