As palavras ganham eco, nesse imenso vazio que é a minha mente. Ideias redundantes, que não me abandonam e me deixam sequestro de estados de overthinking, do qual não me consigo emancipar.
Porque sou tão inseguro? Porque no meio de alguma ideia de extroversão, me sinto logo de seguida inapropriado, desadequado, que me destrói? Não é uma ideia recente. Já aqui expus em tempos a minha visão da dismorfia que me acompanha. E voltei a sentir essa sensação de subjugação.
Porque fui abandonado, não há muito tempo? Ainda ontem me dizias como era o marido perfeito, um exemplo de pai. Dedicado, organizado, que te libertava de tantos afazeres, como nunca imaginaste que seria possível. E talvez, tenha sido tudo isto que te fez deixar de me desejar. Correndo o risco de parecer algo misógino, talvez esta vertente muito feminina em mim, de gestão familiar, de deixar tudo organizado, de ter brio e ser aprimorado nos afazeres domésticos, a rondar o exageradamente romântico nas palavras e nas acções, te fez ver-me mais como uma companheira de casa e menos como um amante ardente, que te dá prazer à carne.
E me fez, como tantas vezes nesse passado esquecido, sentir-me ignorado pelos imensos defeitos que tenho, que me deixam incapaz de me olhar com uma paixão própria e que me fazem assumir essa atitude de autocrítica, mais complacente do que a complacência de quem olha e em silêncio diz tudo.
Como seria bom alcançar esse estado de eudaimonia, objectivo inalcançável, mas propósito final.

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