segunda-feira, março 23, 2026

Devo-te... Respeito

Acordei de novo contigo a preencher-me de vida. Nestes sonhos em que a tua imagem me deixa sem fôlego e num palpitar que me dá uma ânsia de viver intensamente cada momento contigo.

Mas quando a euforia descontrolada esmorece e surgem aqueles momentos em que a razão toma conta de mim, apercebo-me do ridículo que sou, no depravado e decrépito em que me tornei. Sinto essa fuga da dopamina que me dominava, para surgir um estado de "depressão", como se fosse um ser psicótico com os delírios de ver existência no que não é real. É a própria vida a retrair-se, a impedir-nos de concretizar uma certa impossibilidade.

Parte de mim, tem a certeza do bom que seria estar contigo, ser contigo, mas numa certeza de que o universo o torna impossível.

Talvez seja melhor assim, agora e neste momento. 

Não seria total. Seria só um pedaço mais animal de mim que teria para oferecer, de uma posse e desejo predatório e não amor completo. Seria faltar a um princípio maior, o do respeito. Por ti, pela mulher magnífica que sinto, que sei que és. Seria roubar-te a dignidade que mereces.

Não consigo, não deixar de romantizar qualquer tipo de união, mesmo que seja só física. Não é de mim. Envolvo-me por completo, porque há em ti muito mais, que me rouba a razão, que me faz sentir-te no íntimo do coração.

Essa indignidade de não ter mais para te oferecer no presente, senão o corpo, ainda que com carinho e muita afeição. E quando há inocentes na equação, que merecem estabilidade para poderem crescer felizes tanto em sabedoria como em graça. Num equilíbrio frágil de uma família que não pode deixar escapar uma imagem de desunião e destruir por completo o ideal pelo qual se lutou tanto.

Seria tão melhor, que me rejeitasses, que me dissesses PÁRA, que me fizesses calar dos longos discursos sentimentais que por tão longos se tornam de uma superficialidade ignóbil.

E por tudo isto só consigo pensar, em contínuo, na palavra desculpa. Por tentar não só conquistar-te o corpo pelo desejo, mas também a mente, pela escrita, pelas palavras que correm nos dedos e nos lábios sem freio, sem filtros de uma consciência perturbada.

Saberíamos no que nos estaríamos a meter, ao permitir que a vida em comum fluísse em nós. E por isso não nos podemos permitir a vivê-lo abertamente, ou de todo. Não agora, talvez nunca. Seja por nos sentirmos mais distantes emocionalmente de quem connosco partilha a vida, nessa solidão de uma companhia que parece tantas vezes só servir para fazer gestão de uma casa, de uma família. Mas não seria justo transformar-te numa muleta emocional. Mereces muito mais do que isso. Muito mais do que ouvir as lamentações que tomaram posse de mim.

Chego a sentir-me nauseado pelo escremento de homem em que me tornei. Num ser nojento que vulgariza a exposição sexual e que se transformou num porco, com a ideia vil e mesquinha de tentar deixar-te excitada pelo fraco exemplo de homem que agora sou.

Quero recuperar o "cavalheirismo" que penso teres conhecido em mim, nem que para isso me remeta ao silêncio, abandonando o teu espaço, deixando-te nessa serenidade na qual habitavas e que eu tanto apreciava.

"Logo vais perceber que tudo o que viveste foi uma preparação para viveres a melhor fase da tua vida... Confia. Confia."
Desconhecido

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