As despedidas são momentos que sujeitam a alma e o corpo para um sofrimento difícil de suportar e compreender.
Como se resistissemos à necessidade de dizer "até amanhã", tentando prolongar num eterno o "hoje e agora".
Esta expressão de despedida, carrega o peso doce e, ao mesmo tempo, cruel da finitude. Quando dizemos "até amanhã", estamos a aceitar passivamente a passagem do tempo, mas o coração, por vezes, recusa-se a aceitar esse afastamento.
Desejar que o "hoje" seja eterno é a prova máxima de que o momento presente deixou de ser apenas tempo e passou a ser sentimento marcado na profundidade da alma. É aquele estado de suspensão onde o mundo lá fora deixa de existir, onde o ruído se cala, e a única realidade que importa é a presença do outro. O amanhã, embora prometa um reencontro, é uma interrupção, é o regresso à rotina, ao relógio e à distância necessária para que a vida continue.
A melancolia da resposta "não queria que fosse amanhã" revela o medo de que, ao fechar os olhos hoje, a magia se dissolva, o momento se apague na distância do passado. Existe o receio de que o amanhã traga uma luz diferente, menos dourada, ou que a urgência daquele instante se perca. Querer que o hoje continue é o desejo humano e impossível de eternizar a felicidade antes que ela se torne memória.
É um paradoxo do afeto. Para haver um "até amanhã", temos de deixar o "hoje" morrer. E, às vezes, o agora é bom demais para o deixarmos partir.

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