domingo, junho 25, 2006

Provavelmente

Os que me conhecem, não pelo meu pseudónimo Sebastião da Graça, mas pela graça que me foi dada por nascença, devem-se estar a interrogar, após os últimos posts colocados, que provavelmente não me conhecem completamente. Podem, igualmente colocar a hipótese que provavelmente esteja a desenvolver uma psicose, dado o meu discurso confuso, incoerente, mesmo com ideias bizarras ou, provavelmente, uma dupla personalidade.
Mas em verdade vos digo. Apesar de já por muitas vezes me apelidaram de "certinho", alguém cumpridor das regras e dentro dos parâmetros sociais aceitáveis, sinto-me, debaixo de uma carcaça de aparência, um autêntico "hippie". Alguém que gostaria de se libertar dos groupies padronizados e de preconceitos sociais estabelecidos, incapaz de conceptualizar uma política esquerda/direita, capitalismo/socialismo, o socialmente correcto/incorrecto, onde no fundo, o que interessa realmente seja a pessoa na sua individualidade e na sua relação com o próximo, o "make love, not war".

Mas tentando interpretar o que dizia uma colega e amiga minha, num dos seus posts, infelizmente estamos presos a esta "dependência" de aparências exteriores e nem sempre valorizamos da melhor maneira, a verdadeira pessoa que há em cada um de nós. Escondemos a nossa "true color" atrás de uma inércia de mudança.

Obrigado Shara por dares o mote!

Provavelmente agora me conheçam melhor

sábado, junho 24, 2006

Mãos de ver

Os últimos três anos da minha vida, trouxeram-me uma confirmação, daquilo que vinha a sentir desde o primeiro momento em que comecei a adquirir consciência de mim. Desde muito novo comecei a sentir a presença de alguém. Não, me refiro só a uma presença física, que todos nós sentimos por inerência às nossas capacidades sensoriais, mas também sentia a sua presença de espírito. Alguns de vós devem estar a dizer: "Lá vem aquele com as tretas espirituais...", mas deixem-me contar um episódio da minha vida.
Numa determinada altura da minha vida, era eu ainda um rapazinho, ao cumprimentar uma pessoa que conhecia, reparei na sua presença ausente, num vazio que a acompanhava. Mas o espanto assombrou-me por completo, no momento, em que no dia a seguir soube que essa pessoa tinha tido um acidente de automóvel e que tinha falecido. Na altura não associei nenhum dos sentimentos que tivera anteriormente ao sucedido, mas quando comecei a contactar diariamente com pessoas moribundas, muitas delas na fase final da sua vida, então percebi, que antes de um último suspiro de vida, estas tinham anteriormente perdido a sua presença espiritual (alma), como se esta antecipasse o que fora suceder.

Já na antiguidade, esta era uma capacidade de muitos dos médicos afirmavam ter, através da imposição das mãos no doente, sendo que os casos mais célebres, do próprio Hipócrates, na Grécia e de Avicena, na Pérsia.
No fundo, este "fenómeno" pode tratar-se de uma experiência que muitos dos profissionais de saúde vivenciam, talvez como um mecanismo de defesa, deixando de sentir as pessoas como tal e simplesmente como "cadáveres adiados que deambulam", para que no momento do adeus final não se sinta a perda, de alguém que se acompanhou, muitas das vezes, como um verdadeiro amigo.
Ou talvez seja só um traço meu, psicótico, em julgar ter poderes sobrenaturais!
De qualquer das formas, uma morte é sempre sentida por cada um de nós, como uma oportunidade de olhar de forma confiante para a vida na sua multiplicidade única, e encararmos cada dia como se fosse o último. E no final termos o orgulho de dizer: "Estou em paz comigo, porque sempre me entreguei completamente para ajudar os outros!"

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
Fernando Pessoa

Obstinação

Esta palavra pode ter um de dois significados. Por um lado pode ser empregue, num sentido mais positivo, para descrever uma qualidade de alguém perseverante na busca de um objectivo, ou por outro lado, no seu sentido mais negativo, pode representar uma tentativa incessante de obter algo não alcançável, e que se aplicado ao acto médico, denomina-se de distanásia.

Na minha ainda breve passagem pelo ambiente hospitalar, tenho encontrado diferentes formas de encarar os últimos dias de um doente. Mas, em nenhum outro lugar encontrei uma vontade tão expressa em prolongar a vida de uma pessoa, como no hospital em que actualmente me encontro e com um doente que lá está internado. Doentes em que o prognóstico não vai além de poucas semanas, há neste hospital, um investimento enorme de recursos, de várias ordens, para recuperar o pouco que resta, prolongando, nem sempre da melhor maneira, a última centelha de uma vida. E, no final, resta o sentimento de que tudo o que era possível fazer, foi feito, mas sempre com a interrogação de "porquê?".
Talvez porque nos recusamos a desistir, a abandonar o doente, porque acreditamos que é possível sempre dar a volta a qualquer situação e porque no fundo acreditamos que é possível vencer a morte.
Mas qual o limite? E cabe a cada um de nós impor um limite?
A minha opinião é que, não me cabe a ninguém julgar ou sequer opinar sobre a atitude certa, qual o limite a estabelecer. Cada caso é diferente do outro e há factores que não são possíveis de controlar, para se impor regras.

Toda esta problemática, tem-me devolvido algum do conflito interior outras vezes vivenciado. A sensação de quando será a melhor altura de deixar partir o corpo, quando o espírito há muito que já não o habita. Mas esta é outra conversa.

Difícil é saber quando parar

quarta-feira, junho 21, 2006

Estado da Nação

Chegámos a um ponto no nosso país onde um governo que se autodenomina de democrático recorre a a estratagemas pouco claros para reprimir e humilhar o cidadão comum e anónimo, atingindo-o naquilo que lhe é mais sagrado, a sua dignidade e honra.
Com uma frequência, infelizmente, cada vez mais elevada, o governo tenta incriminar a população pelos seus próprios erros, deixando por outro lado, imunes os próprios políticos da responsabilização dos seus actos, confiando que a maioria das pessoas deste país têm uma atitude passiva relativamente aos seus direitos e deveres sociais. É a política do "vamos ver se cola". E quando o tiro sai pela culatra, há um descarte total em assumir responsabilidades, pedir desculpas e ao invés assumem uma atitude de vitimização. Chega de arrogância, estupidez e faltas de respeito para com os portugueses.

É por estas e por outras, que acredito na necessidade de ter alguém, verdadeiramente, politicamente imparcial, garante de uma governação séria e justa, livre de qualquer fidelidade partidária ou que só em cada 5 anos, pense um pouco na população. E esta é só uma de milhares de razões para este tipo de sistema político.
Pois é... Para quem ainda desconhecia, acredito numa Monarquia Constitucional e Democrática, como melhor sistema para uma país justo, honrado e acima de tudo estável.

“…Vivam Lusos valorosos…
…Venturosos nós seremos
Em perfeita união…”
Excerto do Hino da Carta Constitucional

terça-feira, junho 20, 2006

Difícil dizer Adeus

Como sei que já passou a emoção inicial de andarmos pelos blogs dos amigos e conhecidos, a ler e reler os nossos comentários sobre a vida, sobre o mundo, sobre nós próprios, decidi, expor mais uma vez um pouco de mim, dos meus sentimentos mais profundos e verdadeiros, porque tenho a sensação que não será mais do que um monólogo interior pessoal e intransmissível...

Como é difícil esquecer os que amamos. Digo isto, porque tenho sentido uma enorme dificuldade em esquecer uma pessoa que foi, e continua a ser muito querida para mim. O mal é que quando estou com ela, não consigo distanciar-me ao ponto de distinguir onde pára a amizade pura, e começa o amor ardente. Quando não estou com ela, perco dias em memórias frustes de momentos já passados e que não voltarão mais... Se ao menos viéssemos com um interruptor de On/Off para amar!
Sentimo-nos em perfeita harmonia, quando sentimos que do outro lado, o amor é correspondido, mas no momento em que nos dizem "sinto-me horrível, mas deixei de te amar...", sentimos como se o mundo estivesse para acabar e que estas palavras ficarão para sempre gravadas no nosso coração, mente e em última instância na nossa auto-estima (leia-se orgulho). Mas mesmo neste momento acreditamos que viver é possível, que apesar de tudo resta a amizade ("...perdi um óptimo amor, ganhei um excelente amigo..."), mais forte que o amor e que resiste às intempéries sentimentais... Mas mesmo este se torna difícil nos reencontros, onde os sentimentos ilimitados de afecto, paixão e carinho, são em grande parte recalcados e mesmo eliminados, transformando-se em momentos de silêncio e sublimados sobre a forma de suspiros, porque somos incapazes e cobardes em dizer "Eu continuo a amar-te apaixonadamente, como o Sol precisa da Lua... Amo-te tanto que coloco todo o meu ser à tua disposição, eu pertenço-te, cativo que fiquei para sempre do teu olhar, do teu sorriso, da tua alma...". Mas, apesar de tudo há a necessidade de respeitar a decisão da outra pessoa, porque a nossa maior felicidade, vem quando vemos que a pessoa a quem entregámos a nossa vida se sente infinitamente feliz assim, mesmo que isso signifique a nossa distância.
É aqui que nos apercebemos, que a única solução é o afastamento total, para que num momento (in)feliz da nossa miserável e insignificante vida, as memórias possam partir para sempre e dar descanso ao sofrimento, à dor, ao choro, para que prevaleça o esquecimento, permanecendo na esperança de que um dia consigamos encontrar de novo a alegria e harmonia, um pouco mais pobres, é certo, por entregarmos bastante de nós a alguém que partiu e nunca mais voltou.

"Se viveres cem anos eu quero viver cem anos menos um dia, assim nunca terei de viver sem ti"
Winnie Pooh

Seriação

Hoje é dia de mais um exame de acesso à especialidade.
Para quem não sabe, trata-se de um exame de algumas áreas da Medicina Interna, que os recém licenciados médicos têm de fazer para ingressar numa especialidade, onde são colocados por ordem crescente de notas, afim de criar uma seriação para escolha do local/especialidade.

A seguir a este, o que se segue, já será aquele onde eu próprio, a par de vários colegas, iremos colocar os nossos "conhecimentos" ultra memorizados e nem sempre bem compreendidos, à prova...
A angústia, vem quando sentimos que a memória é extremamente limitada e cada fragmento do conhecimento recém adquirido é quase imediatamente perdido, e o tempo não vê maneiras de parar... O meu desejo é que consigamos todos atingir os objectivos a que nos propusemos!

"May the force be with you..."
Obi-Wan Kenobi

terça-feira, junho 13, 2006

Dia de Santo António

Santo António de Lisboa para uns, "casamenteiro", para outros, de Pádua, zelador de coisas perdidas.

"Não ames pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ames por admiração, pois um dia te decepcionas... Ama apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação"
Anónimo