Tenho-me questionado que tipo de pai sou?
Diz-se que ser pai é ser pelo exemplo. Mas o exemplo não nasce da perfeição. Nasce da presença. Muitas vezes, perdemo-nos no ruído das expectativas sociais, tentando ser o "pilar inabalável" ou o "guia infalível", e esquecemo-nos de questionar o que realmente ressoa no olhar dos nossos filhos.
Ao mergulhar nessa disputa mental sobre o que define uma parentalidade responsável, surge uma revelação desarmante: talvez o segredo para ser um bom pai seja a coragem de abraçar o que historicamente rotulámos como ser mãe.
Ser pai é, afinal, ter a sensibilidade de baixar a guarda. É perceber que a autoridade de pouco serve se não for acompanhada pela disponibilidade emocional. Para ser esse exemplo que os filhos quererão seguir, descobrimos que precisamos daquela atenção minuciosa às inquietudes invisíveis, do coração que escuta o que não foi dito e das mãos que, em vez de apenas apontarem caminhos, se entrelaçam para construir laços.
Ser um "pai razoável" pode ser apenas cumprir um papel. Mas ser um pai que se permite ser "uma razoável mãe" é escolher a via do afeto, da presença constante e da vulnerabilidade. É entender que os laços mais sólidos da vida não são feitos de cimento, mas de tempo, de escuta e de uma ternura que não teme ser revelada. No final do dia, o melhor exemplo que podemos deixar é o de alguém que soube amar com a totalidade do seu ser.

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